Revista Rua

2018-05-03T10:59:16+00:00 Opinião

60 anos de Grammys. Para quê?

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José Manuel Gomes
José Manuel Gomes
2 Março, 2018
60 anos de Grammys. Para quê?

Neste ano, 2018, comemorou-se uma data gorda dos Óscares da música. O Grammy, atribuído pela National Academy of Recording Arts and Sciences, ou somente NARAS, é considerado o maior prémio da indústria musical. Mas será que ainda é visto como tal?

Neste ano, o grande vencedor foi o artista Bruno Mars. Nada contra ele, nem contra o trabalho que faz. Considero até que dentro do universo de música Pop (e meandros do R&B) é um excelente performer, interpretando aquelas músicas orelhudas que passam 500 vezes por dia na rádio e faz as pessoas dançarem. O que me incomoda são os padrões que determinam quem são os vencedores, atualmente, deste género de prémios. Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto específico, nos Grammys, mas confesso que ainda tinha alguma esperança de mudança por parte das pessoas que determinam os nomeados e vencedores daquele que é, quer queiramos quer não, o prémio de maior peso no currículo duma banda/artista.

O 60º aniversário demonstrou ser a continuação da tendência que tem sido os últimos dez ou 15 anos deste prémio: premiar o comercial, o formato copy-paste das canções da modinha, dos géneros da modinha, dos artistas da modinha. Houve uma coisa que me deixou, para além de triste, indignado: como é que o tema “Despacito” não limpou isto tudo? Se a ideia, ou antes, a lógica, é nomear e premiar quem mais passa na rádio – esse quadrado cognitivo, que nos torna cada vez mais em acéfalos auditivos – porque raio não deram o prémio de melhor música, melhor artista e melhor gravação ao senhor que compôs este tema? Não foi este o maior vírus de 2017? Por que foi, afinal, o Bruno Mars que ganhou nas categorias mais importantes?  Para além de não concordar com os critérios e os padrões atuais que são avaliados, não compreendo os mesmos. Se calhar ainda bem…

Coisas positivas a retirar, há? Ora, o Kendrick Lamar fez uma atuação épica, ganhou alguns prémios, mas continua a não ser distinguido pelo que, de facto, merece. Os LCD Soundsystem ganharam o primeiro Grammy da carreira deles e The War on Drugs também venceram o prémio de melhor álbum rock, naquele que para mim é o melhor disco do ano de 2017. Tudo o resto, mais do que acessório, é incompreensível.

O paradigma mudou: cresci numa era em que a MTV e os Grammys eram o topo da indústria. Hoje, o primeiro serve para ver pessoas a cair ou reality shows sobre adolescentes que foram mães. O segundo perdeu a noção da diferença entre showbiz e música de verdade.

Sobre o Autor

Signo escorpião, sei informática na ótica do utilizador, programador do espaço cultural Banhos Velhos e sou um eterno amante de música, do cinema e do Sozinho em casa.

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