Revista Rua

Saber. Entrevista

“Somos do tamanho dos nossos sonhos”

Elisabete Ferreira, a mulher bombeira

Redação

Texto: Redação |

Equipada a rigor, com o seu fato de proteção e o seu capacete debaixo do braço, Elisabete Ferreira é uma das mulheres que inspiraram a RUA durante este mês de março. Bombeira a tempo inteiro na corporação dos Bombeiros Voluntários de Braga, Elisa vai respondendo a pedidos de ajuda enquanto ainda se foca no seu curso de Enfermagem Veterinária. Rodeada de homens numa profissão onde a força poderia ser o maior entrave em termos de adaptação, a bombeira bracarense reforça a ideia de que uma mulher pode ser aquilo que quiser. 

O que a leva à atividade de bombeira?

Tudo começou em novembro de 2006, quando decidi integrar a escola de bombeiros. Na altura, foi uma decisão tomada em conjunto com uma amiga minha. Ambas gostávamos de fazer voluntariado e tivemos conhecimento da abertura de uma escola de bombeiros. Então, decidimo-nos inscrever.


Ser mulher trouxe dificuldades em termos de adaptação à profissão? Alguma vez sentiu que era discriminada?

Inicialmente, talvez fossemos discriminadas, principalmente porque as pessoas achavam que não tínhamos a mesma força que os homens e não conseguiríamos executar determinadas tarefas. Mas coube-nos a nós demonstrar que isso não passava de um mito, porque as mulheres são capazes de tudo, basta quererem.

 

A verdade é que uma mulher bombeira tem que lidar com situações, como incêndios, situações essas que podem ser mais fáceis para a fisionomia dum homem. A força, principalmente, é o entrave maior para si?

Não concordo, acho que não é a fisionomia dos homens que facilita a função, porque existem vários tipos de homens e alguns menos capazes que as mulheres. Nos teatros de operações (como incêndios) acho que vamos buscar forças onde elas nem existem. Nesses momentos ultrapassamos tudo e não pensamos nas nossas dificuldades, pois essas são para serem superadas.


O que destaca como mais difícil no trabalho de bombeira?

Para mim, o mais difícil talvez seja a gestão do stress no trabalho.

 

O que pode contar-nos sobre o seu dia-a-dia como bombeira? Que tarefas faz?

O meu dia-a-dia resume-se a emergência pré-hospitalar. Sou condutora e tripulante maioritariamente de ambulâncias de emergência, embora por vezes tenha que desempenhar outras funções. Mas, na sua maioria, é emergência.


Considera importante haver mulheres em profissões que não são tão típicas de mulheres?

Na sociedade de hoje, acho que as mulheres desempenham qualquer profissão tão bem ou melhor que os homens. Aliás, acho que cada vez mais!


Por exemplo, uma mulher bombeira tem que lidar com situações, como incêndios, que são mais fáceis para a fisionomia dum homem. A força, principalmente, é o entrave maior para si?

Não concordo, acho que não é a fisionomia dos homens que facilita a função, porque existem vários tipos de homens e alguns menos capazes que as mulheres. Nos teatros de operações (como incêndios) acho que vamos buscar forças onde elas nem existem. Nesses momentos ultrapassamos tudo e não pensamos nas nossas dificuldades, pois essas são para serem superadas.


Alguma vez esteve numa situação de perigo séria? Algo que a tenha assustado?

Sim, já tive algumas situações. Muitas vezes não sabemos o que nos espera e nem sempre temos, do lado de quem nos chama, a melhor receção. Por vezes, temos saídas para as quais não temos grande informação e encontrámos alguns cenários complicados.


Hoje em dia, a mulher portuguesa é autónoma e dedicada, seja em que profissão for. A seu ver, já não faz sentido rotular profissões de homem e profissões de mulher?

Não, neste momento, na minha opinião, já não faz sentido. A sociedade foi moldada e adaptada para que deixasse de existir preconceito relativamente às mulheres. Mas foi com muita luta e persistência das mulheres que isso foi possível.

 

Uma mulher pode ser tudo, desde que goste do que faz?

Exatamente, só depende de cada uma... e da persistência!


Quer deixar uma mensagem a todas as mulheres que, como você, se aventuram num mundo que pode ser mais fácil para um homem?

Nós mulheres somos capazes de tudo, querermos e termos a capacidade de enfrentar todos os obstáculos que nos vão surgindo. Sem dúvida, nós mulheres “somos do tamanho dos nossos sonhos”.

 


4 vídeos 725 followers 2 posts