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“Tenho a certeza que se uma mulher sonha, uma mulher faz acontecer”

Filipa Júlio é o rosto por detrás da marca Josefinas

Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

É com as paisagens de Braga sempre no coração que a marca Josefinas partiu à conquista do mundo. Por detrás do sucesso destas bailarinas, um tipo de sapato feito à mão e tradicionalmente associado à prática de ballet, está uma equipa de mulheres que ajudaram a trazer o sonho de Filipa Júlio, fundadora da marca, à luz do dia. Hoje, Josefinas é sinónimo de qualidade, irreverência e elegância e, na sua essência, está um mote bastante direto: com  Josefinas nos pés, uma mulher pode conquistar o mundo. E não é isso que toda a mulher quer? 

Começaríamos esta conversa por evidenciar uma frase que está escrita na apresentação da marca Josefinas: “Acreditamos que ao ajudar uma mulher se contribui para um mundo melhor e mais justo”. Para si, o que representa ser mulher?

Acredito que temos o dever de sermos mulheres para mulheres. E na Josefinas somos isso mesmo: uma marca feita por mulheres para mulheres! A sensibilidade e a determinação de uma mulher é incrível. Somos muitas vezes subestimadas e as nossas capacidades questionadas, mas acredito que qualquer mulher alcança aquilo a que se propuser.  

 

A Filipa acredita na célebre frase eternizada por Coco Chanel: com os sapatos certos, uma mulher pode conquistar o mundo? 

Sem dúvida, principalmente se forem Josefinas! (risos). Quando criei a Josefinas com as minhas sócias, a Maria Cunha e a Sofia Oliveira, tínhamos um mote: “Onde te levam as tuas Josefinas?” Esse mote persiste: com Josefinas nos pés, qualquer mulher pode conquistar o mundo. 

 

Todo este mundo da Josefinas nasceu de um sonho. Quer contar-nos como tudo surgiu?

A história da Josefinas é uma história de persistência: é a história de uma mulher que um dia sonhou, outras juntaram-se, e nasceu a Josefinas! Em 2013, conheci a Maria Cunha numa espécie de concurso de ideias – nessa altura, ainda só tinha a ideia. O nome ‘Josefinas’ viria depois. Entretanto, juntou-se a Sofia Oliveira e a marca ficou pronta para conquistar o mundo.  Num país em plena crise, onde sonhar tinha pouco espaço, o facto de fazer sapatos à mão ganhou novo nome. Em Portugal, há algo que nunca morreu: o savoir-faire dos artesãos e a paixão por uma ideia. O lema “nunca desistir” deu um cunho à Josefinas e aos valores que representa. O nome ‘Josefinas’ nasceu em homenagem à minha avó, Maria Josefina. Ela tornou sempre a minha vida numa carinhosa aventura, especialmente quando me levava às aulas de ballet. 

 

Então, para si, cada peça que desenha é como se revisitasse as suas memórias de criança, a caminho das aulas de ballet?

Sempre que crio bailarinas dou comigo a pensar nas caminhadas com a minha avó até às aulas de ballet. Mas são as histórias de mulheres fortes e corajosas que me inspiram todos os dias. 

 

 

 

Antes de fundar a marca, a Filipa trabalhava num atelier de Arquitetura, correto? Essa ocupação não lhe preenchia o sonho? 

Correto.  Trabalhava num atelier de arquitetura no Porto. Eu adoro arquitetura, aliás, o meu background nessa área ajuda-me imenso na criação da Josefinas. Mas a realidade é que sentia uma enorme vontade em criar uma linha de sapatos minha. Acredito que essa vontade está no meu ADN – o meu avô era sapateiro. 

 

Que valores representam as Josefinas? Qual é a essência da marca?

Há três valores basilares na Josefinas: women empowerment, wow customer e savoir-faire. Em tudo que criamos procuramos inspirar e dar poder às mulheres. As nossas coleções são inspiradas em mulheres fortes, sejam elas historicamente reconhecidas ou mesmo negligenciadas, sejam elas mulheres anónimas, como foi o caso da edição especial Mulher Dragão, criada em homenagem às vozes femininas silenciadas. Ao mesmo tempo, acreditamos em apoiar negócios de mulheres que criam coisas extraordinárias. Por exemplo, a edição Rose Couture nasceu em homenagem às talentosas bordadeiras do Vale do Sousa, cuja arte, quase extinta, ganhou uma nova vida. Além destas mulheres empresárias portuguesas, ajudamos mulheres em risco em África. Este ano, já ajudámos quase uma dezena de mulheres através da Women for Women Internacional. Estas mulheres têm agora os meios para criarem um negócio seu, providenciarem recursos para si e para as suas famílias e criarem as condições necessárias para desenvolverem a sua comunidade. É por estas mulheres que nos levantamos todos os dias.  O savoir-faire é outro valor intrínseco à Josefinas. Acreditamos que a magia de um sapato feito à mão é inigualável. Cada par de Josefinas é único; é criado pelas talentosas mãos de mestres sapateiros em Portugal. E, cada par de Josefinas, chega à casa das nossas clientes com muito amor. Costumamos dizer que é nossa missão fazer com que todas as nossas clientes fiquem felizes com as suas Josefinas (e acredito que a nossa taxa de felicidade é de 100%). Fazemos tudo pelas nossas clientes e para as surpreender - desde enviar flores no dia do casamento ou fazer entregas especiais ao fim de semana. 

 

Diria então que o cunho artesanal dado a cada modelo Josefinas é o que mais valoriza a marca? É esse o culminar de um objeto único?

Sem dúvida! As Josefinas são únicas pela simbologia que culmina num produto de qualidade exímia. Cada par é feito por talentosas mãos. Quando se criam as Josefinas há paixão e orgulho! 

 

 

Hoje em dia, as Josefinas são sinónimo de objeto de luxo, com pormenores pensados até ao mais ínfimo pormenor. Olhando para o percurso da marca, pensaria que seria possível chegar até aqui? Destaca alguma dificuldade?

 

Quando criámos a Josefinas criámos uma marca para o mundo. No nosso ADN está a criação de um objeto único e exclusivo para cada mulher. Não há dois pares iguais. Olhando para trás, sinto um orgulho enorme pela jornada que atravessámos e nunca duvidei que seríamos capazes. Afinal de contas, trabalho com as mais talentosas mulheres! (risos)

 

As Josefinas já se alastraram para além das nossas fronteiras. Qual é o balanço que faz da marca neste momento? A abertura da loja em Nova Iorque abriu novos horizontes, correto?

A marca Josefinas está a crescer, mas ainda há muito caminho a percorrer. A loja de Nova Iorque foi o culminar de um dos muitos sonhos que temos. E carregamos com orgulho o facto de sermos a primeira marca nacional, gerida por mulheres, a abrir uma loja 100% sua, em Nova Iorque. Esperamos ser a primeira de muitas!

 

Mulher com um negócio de sucesso, a Filipa Júlio é um exemplo concreto de uma mulher persistente à conquista do mundo. Acha que com determinação, uma mulher consegue destacar-se num mundo de homens? 

Tenho a certeza que se uma mulher sonha, uma mulher faz acontecer. Não há nada mais forte que a determinação e perseverança de uma mulher. A Josefinas é o exemplo disso. 

 

Alguma vez se sentiu diferenciada de alguma forma, no mundo dos negócios, por ser mulher? 

Quando começámos a Josefinas não fomos levadas a sério. Acredito que agora a história seja diferente… (risos)

 

Há uma tendência tradicional para acreditar que os homens têm um valor acrescentado em termos de capacidades de gestão. No entanto, como vimos, a marca Josefinas compõe-se através de uma equipa feminina. Isso pode funcionar como uma afirmação?

Somos mulheres motivadas pela paixão e pela missão de mudar o mundo – e é quando recebemos mensagens, telefonemas e cartas de mulheres que nos chegam de todo o mundo, que percebemos que todo o nosso esforço tem ajudado outras mulheres a afirmarem-se. 

 

Acreditamos que as mulheres têm uma visão do mundo muito especial. A Filipa Júlio considera-se uma mulher que vê o melhor lado do mundo? É uma romântica nesses termos?

Sim, sem mulheres quão triste seria o mundo? (risos)

 

Quer deixar uma mensagem de incentivo a todas as mulheres que, tal como a Filipa, aguardam por cumprir um sonho? Qual é o segredo para conseguir pôr o mundo a seus pés (ou conquistar os pés de mulheres de todo o mundo, neste caso)? 

O segredo é simples: tudo começa com um sonho e uma vontade. Por isso, sonhem muito e nunca deixem que vos digam que estão a sonhar alto demais. Tudo é possível quando sonhamos e nos deixamos apaixonar. 


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