Revista Rua

Saber. Reportagem

“Tudo começa com uma simples conversa de café”

Com toda a vontade de entrar no espírito carnavalesco, José Costa foi um dos impulsionadores do carnaval que hoje invade as ruas de famalicão.

Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

Tudo começa com uma simples conversa de café, há quase 27 anos. Um grupo de amigos encontra-se no café, como em qualquer outro dia. Juntos, bebem uns copos e a vontade de se divertirem naquela noite, véspera de dia de Carnaval, vai crescendo.

Rumo às festas noturnas na Póvoa de Varzim, em Vila do Conde ou em Ofir. Assim foi. As mesas do café esvaziaram quando o grupo de amigos decidiram ir a casa arranjar um dress code para entrar no verdadeiro espírito carnavalesco. Um espírito carnavalesco que abandonava a cidade de origem, já que pouco se passava naquela noite. Nesse grupo de amigos, que se encontraram no já extinto Café Camões, na Alameda Luís de Camões, bem no coração da cidade de Famalicão, estava eu. Um miúdo que trabalhava nesse mesmo café. Reencontramo-nos todos nessa noite, já vestidos a rigor, mas a sensação de que devíamos fazer a festa na nossa cidade tornava-se mais forte.
No ano seguinte, Famalicão teve a sua primeira festa de Carnaval. Esse grupo de amigos surge mascarado, quase pronto a entrar num autêntico concurso de Carnaval. Amigos de longa data deixam de se reconhecer, dada tamanha dedicação na escolha dos adereços que compunham as fantasias. De ano para ano, tudo foi ganhando mais proporção. Iniciava-se assim o Carnaval na rua, que terminava nas festas que alguns espaços da cidade preparavam. Aos poucos, aquele grupo de amigos foi impulsionando outros, tornando esta festa cada vez mais séria. Hoje, são milhares e milhares de foliões que se juntam em cada canto de Famalicão, ultrapassando as fronteiras da cidade e fazendo da noite de Carnaval o momento mais alto do concelho”. José Costa, aquele miúdo dum grupo de amigos da década de 1990, é hoje o rosto do Chez Café Café, um dos espaços que mais anima a noite de folia carnavalesca na cidade de Famalicão. Na sua memória guarda os momentos em que, de uma forma simples e genuína, ajudou a criar a noite mais longa do ano dos famalicenses. Munidos de toda a vontade, aquele grupo de amigos de José Costa fundou, sem intenção evidente, um dos carnavais mais famosos do país. Hoje, a música extravasa as paredes dos bares e cafés que outrora esvaziavam, levando para o ar livre toda a animação que um disfarce pode trazer.
 
 
Varandas preenchem-se de confettis, com as pessoas que não se arriscam a entrar na confusão a observar do alto da Alameda Luís de Camões as coreografias improvisadas pelos foliões que chegam de visita à cidade. E, quase como regra implícita, o dress code carnavalesco é imperativo! Há quem se aventure em furar a animação sem estar vestido a rigor. Mas, rapidamente, aquele sentimento de não pertença apodera-se do corpo, como se não deixasse os músculos moverem-se ao ritmo das melodias Disco, House, Pop/Rock ou Kizomba. Todavia, se vamos falar de música, é crucial dizer que não há razão para desespero. Se há sons que não agradam a todos os ouvidos, o Carnaval de Famalicão sugere a procura do melhor spot. Alameda Luís de Camões, onde a passagem fica complicada à medida que as horas batem, Rua Luís Barroso, Rua D. Fernando II ou o topo sul da Praça D. Maria II, onde a alegria do Chez Café Café, por exemplo, contagia miúdos e graúdos são algumas das principais artérias que dão vida à noite de Carnaval.
Faça chuva ou impere o frio, milhares de foliões dirigem-se a Famalicão com toda a sua energia calorosa. Piratas bem ao estilo do Capitão Jack Sparrow, Pikachus como homenagem ao ano do regresso da saga Pokémon, Stormtroopers armados em defesa do Império Galáctico inesquecível de Star Wars, Trolls como lembrança do filme de animação... é preciso enumerar mais sugestões?!

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