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“Eu uso termotebe e o meu pai também” estreia-se em Guimarães

Micaela Costa

Texto: Micaela Costa |

No próximo dia 20 de abril no Centro Cultural Vila Flor (CCVF), o autor e encenador Ricardo Correia apresentará o seu espetáculo mais recente: Eu uso termotebe e o meu pai também. Esta peça foca-se na história do operariado, não deixando esquecer a crise que existe no setor fabril, e baseia-se em testemunhos de operários fabris, recolhidos em várias cidades do Vale do Ave, incluindo Guimarães. O espetáculo debruça-se sobre a condição do operário, a história deste setor e a sua emancipação até aos dias de hoje.

O autor, Ricardo Correia, tem por base uma investigação sobre a influência da mecanização industrial no setor ao longo das gerações, tanto de operários como de patrões. Pretende, ainda, mostrar as mutações das identidades destes ao longo do tempo, desde os mais remotos operários fabris até aos operários dos dias de hoje. Quer mostrar a transformação do trabalho, o seu impacto e as suas consequências na contemporaneidade.

Os testemunhos foram recolhidos em comunidades de várias idades portuguesas, transfiguradas pelas “ruínas” dessa indústria. No título, foi escolhido a termotebe, que é uma camisola interior dos anos 80, que era produzida numa fábrica de Barcelos, que já encerrou há muito. Esta referência deve-se à grande tradição do setor têxtil que sempre houve na zona do Vale do Ave, tendo sido trabalhada por várias gerações de diferentes famílias, e que, muitas vezes, era o sustento destas. Ao falar da crise, Ricardo Correia, mostra como a indústria foi arrasada, com o número de fábricas que fecharam, deixando para trás um grande número de desempregados. É considerada a “implosão de uma indústria que se achava sólida”. O encenador não quer deixar esquecer esta realidade, dizendo que esta continua viva, “porque as pessoas vivem ao lado das fábricas que faliram, vivem à volta desses monstros abandonados e quase não fazem o luto disso, porque é o quotidiano”.

Esta peça é uma coprodução do Teatro Nacional Dona Maria II (Lisboa), Teatro Académico de Gil Vicente (Coimbra), Teatro Aveirense (Aveiro) e do Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), tendo também prestado apoio à residência artística ao juntar Beatriz Wellenkamp, Celso Pedro, Hugo Inácio, Joana Pupo e Sara Jobard no seu elenco de atores. No final do espetáculo, o autor Ricardo Correia irá juntar-se ao público no foyer do Pequeno Auditório do CCVF para uma conversa em torno da peça.

Os bilhetes para este espetáculo têm o custo de 7,50 euros ou 5,00 euros com desconto e encontram-se disponíveis nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) e da Casa da Memória de Guimarães (CDMG), bem como nas Lojas Fnac e El Corte Inglés, e via online em  www.ccvf.pt  e oficina.bol.pt .


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