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A consciência da cor

José Lourenço está na rua

Nuno Sampaio

Texto: Nuno Sampaio |

"Se há algo que é evidente no meu trabalho é a luz e o dia. É o meu ADN, seja ele ao nível da fotografia, da pintura, do meu dia-a-dia, da minha forma de vestir e de sentir".

 

 

 

Lourenço's Beard

Uma foto publicada por José Lourenço (@joselourenco) a

 

O humor presente nas fotos é assumidamente “instragramesco”, social e mesmo geográfico; chega-nos em cores, formas e composições quotidianas. É um estado pessoal ou um confronto com o pessimismo generalizado?

 

Foi importantíssimo ter tido formação em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Mostrou-me uma outra maneira de ver o mundo e um olhar mais atento ao que me rodeia. Foi nessa altura que encontrei as ferramentas necessárias para me expressar e encontrar um tipo de linguagem pictórica.

A minha galeria de fotos são sensações, sentimentos, ideias, devaneios, pintura e time frames, como se de um diário fotográfico se tratasse. Mostro um outro lado de mim, em que o público pode conhecer mais facetas do artista, além do meu trabalho de pintura.

Hoje em dia, olho para o que me rodeia de uma outra maneira, muito atento aos mínimos detalhes.

Adoro a cor e acabo por utilizar diariamente ao pintar as telas; acabo por usar esse mesmo processo mas para as montagens das composições das fotografias. Uma das coisas que eu mais gosto nas minhas exposições individuais é haver espaço branco à volta das telas. Sinto que a obra necessita de algum espaço vazio à volta do mesmo. Uso o mesmo processo mas para as fotos, cor, branco, espaços cheios, espaços vazios. No fundo o processo é o mesmo, o que muda são apenas as ferramentas.

Nestas montagens costumo usar missangas, cartolinas, fio de tear, lápis de cera e de cor, enfim um pouco de tudo que seja colorido e que me rodeia.


 

Quando publicaste a primeira foto pensaste que um dia irias ter 125 mil seguidores? Quando é que começaste a perceber que a tua página iria ter o sucesso que tem hoje?

Nunca pensei um dia ter 125 mil seguidores, nunca!

A fotografia sempre esteve associada ao meu trabalho de artista plástico. Contribui para me inspirar nos trabalhos de pintura e também é através dela que registo os meus trabalhos para o meu portfólio, e para memória futura.  

Mas fazer fotografia é outra história e comecei por mero acaso. Mais ou menos em março de 2013 descobri uma aplicação para telemóvel que resolvi explorar e abri uma conta. Tudo começou com o Instagram!

O que me motivou na altura está muito longe do que me move agora. Mas tudo na vida tem um principio. Na época usei a fotografia através do Instagram apenas para divulgar o trabalho que faço como Artista Plástico. Com o passar do tempo comecei a ter necessidade de compartilhar momentos de uma forma simples, sem ter que adicionar uma única palavra, e comecei a publicar com maior frequência.

 

O design e a fotografia são tempos históricos diferentes. Hoje, cada vez mais, andam de mãos dadas. Tendo em conta as composições arrojadas das tuas fotografias, como é que vês este casamento? Existe algum tipo de estrutura social que os una na tua página?

Sim, cada vez mais andam de mãos dadas.

São duas áreas em que me envolvo há uns anos e que está muito marcado na conta do Instagram. O projeto mais marcante que eu tenho onde esse casamento é mais notório é o Insta Symbology que tem dois hashtags #instasymbology e o #jose_symbology - acabei por criar uma identidade própria no Instagram a partir deste projeto.

O projeto surge desta forma: a primeira fotografia que fiz foi com o símbolo do Instagram, o “Like”. Eu limitei-me a tirar uma fotografia ao próprio ecrã do telemóvel, de tão engraçado que me pareceu!

Como gostei tanto do resultado que obtive, comecei a pensar que seria muito divertido tridimensionalizar a simbologia. A funcionalidade do POY (photo of you) ajudou a materializar esta ideia: olhei para o novo símbolo e achei que seria engraçado criá-lo fisicamente

As interações na rede social começaram a crescer a partir daqui e decidi pegar na ideia dos símbolos e desenvolve-los. Afinal, era uma ideia diferenciadora. Tenho algumas peças preferidas, como o POY, o Like, a Cloud e o Home. Vou criando novos símbolos à medida que tenho novas ideias.

A minha proposta é levar ícones inspirados nesse ambiente virtual para o mundo real. Os símbolos são criados da maneira old-school, todos desenhados à escala, feitos em cartão e pintados com tinta acrílica. São muito leves e, por isso, são objetos muito fáceis de transportar para poder usar em qualquer lado. Rapidamente expandi a simbologia além dos limites do catálogo do Instagram.

Tornei-me mais conhecido por ter sido publicada em junho 2013 uma notícia na aplicação e no blog do Instagram sobre este trabalho. Passados 5 meses o Instagram voltou a publicar uma foto minha alusiva ao Natal, que eu tinha publicado no meu feed uns dias antes para desejar feliz natal a todos os utilizadores: era o logótipo Instagram feito em missangas. Fiquei muito feliz, foi das melhores prendas de Natal que eu tive!

 

Não podemos negar que existe uma unidade transparente que realça ainda mais o teu trabalho: a luz ou o dia. Concordas?

Sim, se há algo que é evidente no meu trabalho é a luz e o dia. É o meu ADN, seja ele ao nível da fotografia, da pintura, do meu dia-a-dia, da minha forma de vestir e de sentir.

 

Tens o mundo inteiro à tua escolha, onde gostarias de colocar um dos teus símbolos? Porquê? Que mensagem deixarias?

Gostaria de subir ao Monte Evereste e deixar um símbolo à humanidade, uma placa vermelha com um coração branco no meio, desejando paz e amor.

 

Qual o fotógrafo que escolherias para te fazer um retrato?

Annie Leibovitz.

 

 

 

 

 

 

 

Next stop... Mars!

 

 

There's a lot of new fishollowers...


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