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A natureza impressa

Nuno Sampaio

Texto: Nuno Sampaio |

@raquelfialho

O elemento natureza está presente na maior parte das tuas fotografias e hoje, mais do que nunca, é urgente uma coexistência com as formas naturais do universo. Podemos afirmar que existe uma filosofia de vida por trás das tuas fotos?

Podes chamar-lhe filosofia, simplesmente acho que qualquer coisa que façamos devia ter um propósito, uma curiosidade e, ao mesmo tempo, um limite. A natureza sempre foi algo que me fascinou desde muito cedo, sempre gostei de me sentir pequena e abrumada, tanto pela beleza que podem chegar a ter certos sítios e experiências que vivemos, mas também por tudo aquilo que acontece hoje em dia e que nos dá que pensar, reagir. É impossível viver numa bolha onde tudo é verde e fértil e ignorar o resto do universo, há que saber respeitar mais o espaço onde vivemos e sobretudo aproveitar e apreciar cada momento como se merece.

Achas que a fotografia pode ter um papel importante na preservação do meio ambiente? Como?

Sem dúvida. Dessa forma ganhas consciência de coisas que nunca tinhas pensado sequer. Os meios de comunicação são, mais do que nunca, uma arma poderosíssima. Por um lado, mostram-nos aquilo que querem que vejamos. Por outro, existem pessoas e organizações que trabalham em documentar, tanto em foto como em vídeo, a pura realidade, aquela que não nos ensinam na escola. Acho que o mais importante é ter noção das coisas que podemos mudar, cada um de nós no nosso dia a dia, o que é que podemos fazer para que as gerações que ainda estão para vir possam viver em harmonia com o meio ambiente, sem que acabemos com ele.

O teu universo vive dentro das cores reais das coisas que fotografas. Somos transportados, de uma forma analógica, para outros tempos que nos juntam aos de hoje, um quase retro-futurismo. Concordas?

Todas as memórias que tenho são as cores e todas as cores desse momento ficam gravadas na minha cabeça com a maior nitidez, mesmo quando as ações ou os personagens se vão desfocando. Desde pequena que fotografo em analógico e a cor da película é de facto algo que me põe de bom humor. Não quero imaginar como seria ser daltónico. Também sou bastante nostálgica, sempre que vou a casa vasculho nos álbuns dos meus pais, de quem herdei o gosto de congelar momentos no tempo. Hoje em dia acabamos por fotografar sempre em digital, com os telemóveis. Já não imprimimos fotos como antigamente, mas sim escolhemos cada foto a rigor para as redes sociais. Para mim acaba por ser mais como um diário pessoal aberto a qualquer um.

Viveste muito tempo em Lisboa. Hoje vives em Barcelona. Qual das duas cidades responde melhor aos teus sonhos futuros?

Barcelona é sem dúvida a minha casa agora, já passaram quase sete anos e não me vejo a voltar para Portugal em breve, embora tenha imensas saudades da família e dos amigos. Não descarto a hipótese de voltar a estar perto do Atlântico, que é curiosamente das coisas que mais sinto falta, mesmo vivendo numa cidade com mar. 


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