Revista Rua

Apreciar. Minhotos pelo Mundo

À porta da cidade das acácias

Maputo, Moçambique

Texto: Beatriz Gomes |

As decisões que fez levaram-no até à maior cidade de Moçambique. Diz que emigrar é uma questão de escolhas e que a vida está cheia delas. Sabia que queria ter uma experiência profissional fora de Portugal e quando a teve agarrou-a.

Já lá vão cinco anos desde que começou a sua caminhada em Maputo. Emanuel Pereira nasceu em Fafe, licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Católica Portuguesa de Braga. Tem 31 anos. Antes de emigrar trabalhava em jornalismo. 

A decisão que o levou a ir conhecer a cidade que descreve como sendo “cosmopolita e vibrante”, deu-se no contexto de um programa de estágios internacionais, o InovART, do Ministério da Cultura Portuguesa. O estágio tinha a duração de seis meses, foi realizado na delegação de Maputo da Agência Lusa, e o principal objetivo era desenvolver mais conhecimentos na área do jornalismo, mais propriamente como correspondente internacional. O resultado foi tão bom que Emanuel decidiu ficar por lá por mais algum tempo.

Apelida-se de privilegiado pela experiência que tem tido. Colaborou com a Agência Lusa depois do estágio, como jornalista freelancer para vários órgãos de comunicação social. Ter trabalhado em várias áreas de conhecimento foi “especialmente entusiasmante” para Emanuel. Atualmente trabalha como especialista de comunicação em saúde num departamento de uma organização internacional, que apoia as autoridades de saúde moçambicanas na área do VIH e Sida. Gratidão e motivação são as palavras-chave sobre a profissão.

Sobre o regresso a Portugal ainda nada está anunciado, aliás “talvez ainda haja espaço para viver em outros países”. Sobre o que esta aventura lhe tem dado até agora, realça o conhecimento de novas culturas, realidades, pessoas. Conheceu lá a mulher de quem gosta e com quer partilhar a sua vida. Para além disso descobriu mais sobre ele próprio.

A “saudade” não tem um novo significado, isto porque os meios de comunicação assim o permitem também e, quanto aquilo que lhe faz mais falta, a resposta está em aprender a viver com o que está por perto. Aquilo que não pode ser compensado passa a ter um sentido mais forte, quando passa a existir esse mesmo acesso.

Acredita que quando deixar de viver em Maputo só vai guardar boas recordações da cidade, para já ainda não se habituou ao facto de ser sempre noite à hora de jantar porque não existe mudança de horário em função das estações do ano.

O país que conhece hoje não é o mesmo que quando lá chegou em 2011, é um país em profunda transformação. Com muita população jovem e uma beleza natural característica, as principais diferenças entre Maputo e o país onde nasceu centram-se na arquitetura, nas cores, nos movimentos e nos sons. 

Emanuel acha que emigrar não se trata de um sentido de oportunidade, mas de cada pessoa saber o que quer para si própria. Para já está em Maputo, o resto, só o futuro dirá. 


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