Revista Rua

Viver. Decantar

A temperatura é o segredo

Rafael de Oliveira

Texto: Rafael de Oliveira |

Com os dias a crescer, a vontade por desfrutar de um bom fim de tarde, acompanhado por amigos e um bom vinho, aumenta. Mas será que bebemos os vinhos à temperatura devida? Será que o vinho branco deve beber-se bem gelado e o vinho tinto não? Na segunda prova de vinhos dinamizada pela Revista Rua, em parceria com o anfitrião Mercado da Saudade, encontrámos a resposta a esta questão. E acredite: a temperatura faz toda a diferença!

Na tarde de 18 de março, o Mercado da Saudade sentou à mesma mesa Aline Delgado, Ronaldo Oliveira, Marlene Rodrigues e Patrícia Guimarães para provar dois vinhos com o selo de qualidade da Quinta da Rede: Rede Branco e Rede Tinto, dois vinhos do Douro que prometiam surpreender os presentes. No topo da mesa sentou-se Álvaro Cruz, representante da Amavinhos, empresa encarregada pela distribuição desta marca em Braga.
Antes de mais, uma pequena introdução à Quinta da Rede. A quinta, situada em Mesão Frio, produz vinhos colheita, reservas e grandes reservas. Estas três categorias têm o seu espaço durante a refeição. Sugerimos sempre começarem um jantar com uma garrafa de colheita, perfeita para umas entradas, e irem evoluindo para os vinhos reserva. Caso o jantar seja mais prolongado, podemos introduzir ainda um grande reserva, que é um vinho mais complexo que precisa que o estômago já esteja bem composto.
Quanto à prova, começamos pelo branco, porque uma boca de tinto jamais será capaz de apreciar um vinho branco. Atenção: antes de provarmos, devemos levar o copo ao nariz, apreciando os aromas que emanam. Na sua génese, este branco Rede tem na sua composição castas como Gouveio, Arinto e Viosinho, um blend de castas como se diz tecnicamente. Houve tempos em que as castas Rabigato e Moscatel Galego também faziam parte deste vinho, mas por tornarem o paladar demasiado doce, foram retiradas (no caso da Rabigato) ou diminuídas a uma percentagem muito baixa (no caso da Moscatel Galego). Levando este branco à boca, percebe-se facilmente que é um vinho muito suave. Normalmente, o senso comum diz que os vinhos brancos devem beber-se gelados. Eu digo: se quiserem disfarçar um mau vinho, ponham-no de facto muito gelado. Mas se quiserem perceber a qualidade do vinho, deixem subir um bocadinho a temperatura da garrafa para perceber todos os aromas. Basicamente, a temperatura pode alterar a forma como o vinho nos sabe.
Quanto ao tinto, este Rede contém Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, castas típicas do Douro. Antes de o provarmos, convém acalentar o estômago com um pouco de pão ou com a saborosa tosta portuguesa do Mercado da Saudade. Com um aroma a frutos vermelhos, este vinho pode alterar o seu paladar conforme, como dissemos anteriormente, a temperatura. Faça o teste você mesmo: deite um pouco de vinho tinto no seu copo e prove. Enquanto vai conversando com os amigos, deixe a garrafa refrescar no gelo. Passados uns minutos, volte a servir o vinho no seu copo e perceba a diferença a nível de aroma e paladar. Nem parece o mesmo vinho!


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