Revista Rua

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A viagem psicadélica dos Moon Duo aterrou no gnration com lotação esgotada

Marta Alves

Texto: Marta Alves |

Na passada sexta-feira, o gnration reservou a noite para mais dois concertos e, desta vez, foi o rock psicadélico quem ganhou protagonismo. O primeiro momento ficou a cargo dos portugueses 10 000 russos, um trio que apresentou o Distress Distress, um disco que se define pela sua densidade sonora. De seguida, o público recebeu o tão aguardado projeto Moon Duo. Esta dupla norte-americana entrou em palco com insólito espetáculo de luzes e com intensas sonoridades que não deixaram que a casa cheia vivesse com “cold fear”. 

É certo. Não foram 10 000 russos, mas sim três portugueses que pisaram a blackbox. João Pimenta, na bateria e voz, Pedro Pestana, na guitarra, e André Couto, no baixo, apresentaram o segundo longa-duração Distress Distress lançado no ano passado pela britânica Fuzz Club Records. Entre um cenário de tons avermelhados e de projeções abstratas em preto e branco, as faixas que misturam psych com industrial, post punk e experimentalismo levaram os viajantes da sala a fechar os olhos por vários instantes acompanhando toda atmosfera densa e negra dos ritmos complexos. Tudo levava a crer que o prazer auditivo transportou as mentes para lugares desconhecidos.

Na ótica do espectador Rafael Corte Real, esta banda portuguesa merece ser considerada “uma das melhores no registo psych/krautrock”, pois tem uma personalidade muito vincada de fazer música: “10 000 Russos foge do formato da canção, não há verso-refrão, nem riffs de guitarra”. Depois de já ter assistido a várias atuações, Rafael afirma que as expectativas para ver um concerto deles são “sempre altas”. Além de considerar que “ao vivo são muito competentes”, diz também que o ambiente visual cria um “ambiente algo soturno”.

Moon Duo é o nome que tanto se ansiava e que, muito rapidamente, conquistou o público pela vivacidade e energia que álbum Occul Architecture transmite.

Esta dupla norte-americana formada por Ripley Johnson (Wooden Shiips) e Sanae Yamada lançou este quarto trabalho dividido em dois volumes, refletindo uma opus psicadélica. Sendo que o primeiro é associado a um lado mais feminino e à escuridão e o segundo, o lado mais masculino e à luz.

E, não há dúvidas, que o concerto oscilou com princípio da filosofia Yin e Yang.

Para dar ênfase a essa dualidade de tudo que existe no universo, a poderosa fusão entre o teclado e a guitarra, juntamente com a bateria, intensificou-se com os calorosos focos de luzes que camuflavam os músicos em palco.

Já pela segunda vez, Rafael assistiu aos Moon Duo e confessa: “ganham muito com as luzes, cria um ambiente apropriado à sonoridade deles.” No entanto, o ouvinte não deixa de apontar um aspeto negativo. “Acho que é uma banda que até se repete um bocado na fórmula, mas se calhar é mesmo por não inventarem muito que resulta”. Para rematar, Rafael frisa que, apesar de tudo, “tocam bem ao vivo”.

A mini-tour por Portugal passou ainda pelo Salão Brazil, em Coimbra, no Texas Bar, em Leiria, e, hoje [12 Fevereiro], é dia do espaço lisboeta, Musibox, os receber. 


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