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Abrunhosa "aqueceu" a noite de Arcos de Valdevez 

Pedro Abrunhosa subiu ao palco do Sons de Vez no passado dia 25 de março

Marta Alves

Texto: Marta Alves |

Doze anos depois, Pedro Abrunhosa voltou a pisar terras arcuenses. Inserido na 15ª edição do festival Sons de Vez, o concerto ficou marcado por uma forte interação entre o artista e o público. Bater palmas, cantar e até dançar foram sinais de energia que os espetadores exprimiram do início ao fim do espetáculo. 

Faltava meia hora para arrancar uma das mais aguardadas atuações do festival e já o hall de entrada estava repleto de pessoas. Com dez minutos de atraso, os seis elementos da banda sobem ao palco para instrumentalizar o primeiro tema intitulado “Voámos em Contramão”. A entrada de Pedro Abrunhosa aconteceu alguns instantes depois e foi recebido de imediato com muita euforia por parte do público. 

Com uma correria aos bilhetes, o auditório com pouco mais de trezentos lugares levou que vários espetadores ficassem de pé ao longo de todo o concerto. No entanto, o artista não deixou que fossem só eles. “Quem Me Leva Os Meus Fantasmas” foi a primeira música que levantou todo o público que cada vez mais se mostrava cúmplice e satisfeito com aquilo que se estava a passar.

Será que Pedro Abrunhosa é apenas um cantor e compositor português? O desenrolar do concerto mostrou que há algo mais. A certa altura, o intérprete "roubou" uma máquina fotográfica a um profissional e começou a recolher retratos ao cenário. Mas não ficou por aí. Passado pouco tempo, na companhia da imagem de marca (os óculos escuros), o músico leu algumas piadas de forma a criar humor e proporcionar um ambiente diferente daquilo que é habitual no panorama da música portuguesa. 

Além disso, o concerto também ficou marcado pela presença dos mais pequenos no palco. Seis crianças não tiveram vergonha e cantaram o refrão do tema “Que nunca caiam as pontes entre nós”. Ao longo do tema, o artista fez questão de agradecer aos pais que trouxeram os filhos e não perdeu a oportunidade de dizer que são eles o futuro a que se deve passar a emotividade das coisas. 

A energia do Rock estava no ar, mas também houve tempo para momentos mais sentimentais com a companhia do piano. A música “Hallelujah” do falecido Leonard Cohen foi uma delas. 

Momentos antes, o Abrunhosa tinha deixado uma mensagem sobre as pessoas que partiram em 2016. Para ele, foi um "ano negro" nos Estados Unidos, Europa, Coreia, mas também na música. 

Um espetáculo que esteve muito próximo das três horas, Nuno Soares, enquanto diretor do Sons, considera que foi "um concerto notável, de alto registo musical e interpretativo". A seu ver, Pedro Abrunhosa "é um verdadeiro homem-show, conhecedor profundo dos maiores músicos e comunicadores da música mundial, fazendo assim uma síntese perfeita entre características próprias e influências do passado".

Não tendo sido a primeira vez que viu ao vivo o músico, Laura Pires Correia confessa que este concerto foi mais intenso. Para a ouvinte, "as influências de James Brown, o tributo a Price, a Cohen, a Lou Reed, tudo isso para quem gosta de música é muito emocionante e envolvente". 

"Excelente, contagiante e enérgico" foi o modo como a espetadora adjetivou o concerto.


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