Revista Rua

Apreciar. Minhotos pelo Mundo

Américo criou o Cocktail Saudade em Viena

Emigrar foi como se se tivesse atirado de uma janela do terceiro andar, magoou-se mas sobreviveu. Agora diz que só lhe falta o resto.

Texto: Beatriz Gomes |

Américo da Silva, 27 anos e natural de Braga, licenciou-se e tirou o mestrado na Uminho em Arquitetura ao mesmo tempo trabalhava à noite como bartender num bar. Há dois anos decidiu, em conjunto com um grupo de amigos, emigrar para Viena. Foram com o dinheiro que cada um conseguiu juntar, sem propostas de trabalho e sem conhecer ou saber falar a língua.

Considerada por muitos a “Cidade de Sonho”, Américo afirma que entre ele e Viena há uma relação de amor ódio. Define-a como uma cidade chique, cheia de cultura, mágica, funcional, mas também chata e snobe. Não encontrava trabalho e as perspectivas eram poucas quando já pensava no regresso a Portugal. Mas tudo mudou. Viu um anúncio para trabalhar num bar, fez a entrevista no mesmo dia e à noite já estava a trabalhar à experiência. Entretanto, já foi convidado duas vezes para servir, no dia 10 de junho, na embaixada de Portugal em Viena. Para além do Bar, neste momento Américo trabalha também numa firma de Oficina de pedreiros como Técnico de Desenho. Na firma trata das ofertas e propostas de orçamentos para clientes, e também de desenhos técnicos para a concretização e finalização dos trabalhos pedidos.

“Eh pah está frio”, foi um dos principais pensamentos quando aterrou em Viena. Há coisas que não mudam, uma dessas coisas é a comida. Não gostou de início e dois anos depois continua sem gostar. No Inverno é no seu apartamento que passa muito tempo, quando não está a trabalhar, joga na internet com os irmãos, lê manga, vê series e sai com os amigos. Sem regresso anunciado, afirma que o que lhe faz mais falta é a família, foi para o país onde nasceu Mozart, à procura de experiência, das melhores condições de vida possíveis para poder poupar, e um dia, de alguma forma voltar a Portugal.

Aos que têm a oportunidade de emigrar, o jovem diz para pesar o que realmente querem. Se emigrar for a resposta certa, então “siga”, porque os portugueses ainda têm no “sangue a força de ir em busca de algo melhor, é só içar as velas e agarrar-se ao leme, pois que tempestades e trovões se seguem é certo, mas também é certo que promessa está lá, naquele horizonte.”

Diz que a palavra “saudade” não lhe era estranha devido a entes queridos que já tinham partido. Agora, o sentimento e o sabor da palavra são diferentes, com um sentido mais reconfortante porque essa saudade passa quando estiver com as pessoas próximas. Se “saudade” é uma palavra que tanto gosta, diz que no bar onde trabalha até criou um cocktail com esse nome. Tem até no bar um gin alemão, que é estilado em Hamburgo que se chama “Gin Sul”, um dos melhores que já provou, e no fundo da garrafa, na parte de trás, tem algo que costuma adora ler para os clientes em português. A frase é célebre e o autor também (Fernando Pessoa) e diz assim: “Saudades, só portugueses/Conseguem senti-las bem./Porque têm essa palavra/ para dizer que as têm”.


  • Nuno Barbosa

    És grande!! Abc enorme Saudades

  • Delfim Peixoto

    Os heróis não são quietos. Força!

  • Luisa Braga

    Força Américo! Dos fracos não reza a História!!! Bjnhs. ;)

  • Manuela Peixoto

    Saudades de um filho tão forte e tão sensível ao mesmo tempo. Orgulho

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