Revista Rua

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Amor sem sombra

Teresa Queirós está na rua

Nuno Sampaio

Texto: Nuno Sampaio |

@teresaqphoto

Quando percorremos a tua página, sentimo-nos a viajar dentro de um universo contínuo onde somos constantemente interrompidos pela delicadeza e beleza das coisas dos outros. É o teu objetivo, enquanto fotógrafa, revelar-nos prisioneiros nesta tua viagem?

O meu objetivo é o de partilhar em jeito de segredo. Partilhar aquilo que apreendo, da forma que apreendo; como quem chama a atenção de um amigo para aquele raio de luz que chega através da janela, ou aquela flor que parece mais bonita que as que a rodeiam, ou aquele caracol perfeito que fugiu do restante cabelo apanhado. Além disso, gosto de histórias - de contá-las ou ouvi-las, pouco importa.

 

As tuas fotos são sinónimo de um amor evidente e, ao mesmo tempo, somos quase convidados a experienciar o fim das coisas e de como as conhecemos. Este paradoxo fotográfico revela a tua estética?

O amor está em todas as coisas, parece-me, simplesmente em diferentes quantidades, diferentes dinâmicas. Interesso-me genuinamente por pessoas, por aquilo que dizem e, sobretudo, por aquilo que não querem dizer, que escondem. Interessam-me as relações interpessoais, como pesam, como sustentam, como reclamam a sua importância na nossa vida. As minhas histórias favoritas são as de amor, ou falta dele. O meu universo fotográfico irá sempre beber a essa fonte, incontornavelmente.

És atriz, cantora e fotógrafa. O teu universo em performance revela-se nas tuas fotografias?

Sinto-me bastante coesa enquanto artista, nesse sentido. O tipo de música que gostaria de fazer relaciona-se harmoniosamente com o meu trabalho fotográfico e vice-versa. Como atriz não me parece tão linear, porque isso significaria cingir-me a um tipo de personagem apenas, quando o que me interessa é a possibilidade de caber em várias personagens, de conhecer várias vidas, de lhes dar voz, corpo, sangue. Dito isto, nas poucas experiências que tive enquanto criadora (vídeo e performance), foi este mesmo universo que surgiu e ganhou forma, sim.

 

Porquê a escolha do analógico? É algo que te completa, uma espécie de fórmula mágica para as tuas fotografias?

O analógico traz-me magia. Diria que a camada superficial dessa magia reside no processo químico e ritual adjacente. Mas se é verdade que há uma beleza característica na cor e textura de uma fotografia analógica, é também verdade que o peso da minha máquina, a constante atenção ao medidor de luz, a imagem que vejo através do pequeno visor que está já amarelado e turvo, o foco difícil, o som que ouço cada vez que pressiono o obturador, são particularidades do (meu) analógico que me obrigam a fotografar de maneira diferente, a pensar de maneira diferente, a olhar de maneira diferente, a respirar de maneira diferente. Torna-se, portanto, uma experiência invariavelmente mais rica.

 

Um sítio numa estação do ano.

A Cracóvia, no outono. Bom, para ser absolutamente honesta, o outono, simplesmente. Onde? Pouco importa. Qualquer lugar que lhe faça jus.


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