Revista Rua

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As Nicolinas em Guimarães

As Maçãzinhas, o pregão e as roubalheiras.

Maria Inês Neto

Texto: Maria Inês Neto |

As “Maçãzinhas” são o número mais importante e de certa forma dos mais participados das Festas Nicolinas por acontecem no dia de S. Nicolau, a 6 de Dezembro. É reservado e dedicado o dia mais importante dos festejos para homenagear as raparigas vimaranenses, sendo elas as destinatárias de todos os eventos das Nicolinas tão tipicamente masculinos.  

 

Logo pela manhã começam os preparativos. Eles, os rapazes, preparam os seus carros alegóricos nas Oficinas de S. José, colocam as fitas nas suas lanças e arranjam um Escudeiro que os acompanhe. Essas fitas podem ser de várias cores, sendo que cada cor tem um significado diferente e nelas levam dizeres e mensagens escritas. Elas, as meninas cosem camélias brancas às capas pretas dos estudantes e colocam-nas nas suas varandas. O cortejo arranca às 15h00 e por esta altura a cidade já se encontra cheia de apaixonados e curiosos que aguardam ansiosamente pelo momento de clara inspiração romântica.

Os membros da Comissão de Festas das Nicolinas lideram o cortejo, vestidos a rigor com a típica capa e batina e atrás seguem-se os restantes estudantes nos seus carros alegóricos decorados pelos mesmos.

A principal peculiaridade das “Maçazinhas” deve-se ao modo como os estudantes preservam o efeito do romantismo bem típico de tempos passados e o sentimento que é recuperado por quem participa naquele que é um momento mágico.

Pregão

O pregão realiza-se a 5 de Dezembro e consiste na declamação de um texto satírico-retórico da autoria de Novos e Velhos Nicolinos sendo recitado pelo “Pregoeiro”, nomeado de entre os 10 elementos da Comisão de Festas. O Pregoeiro é escolhido por ser aquele que tenha uma voz mais pujante, revelar dotes de declamação e uma boa dicção bem como uma pose condigna. O “Pregão a S. Nicolau” é um momento de exaltação da cidade de Guimarães bem como um elogio ao padroeiro dos estudantes sendo assim um número que acolhe centenas de pessoas.

O Pregão é recitado em cinco pontos da cidade sendo o ponto mais popular a Câmara Municipal onde é então declamado pela primeira vez. A população recebe um panfleto onde está escrito todo o texto para acompanhar a leitura. Depois segue-se o cortejo que acompanha o trajeto entre os vários pontos sendo marcado pelo “Toque do Pregão”.

Este é assim o número mais tipicamente Nicolino. É também um dia muito importante para aquele que tenha a suprema honra de ser escolhido para representar a Comissão e declamar à cidade em versos e em prosa os eventos ocorridos nesse ano. “Que se ouça por aí, no mundo inteiro: festa há muita, por toda a parte, mas como esta? Nem no mundo, nem em Marte!”

Roubalheiras

Desde balizas, vasos, bancos de jardim ou mesmo sinais de trânsito fora do lugar indicam que foi uma noite de “Roubalheiras”. Tal como o nome indica, as “Roubalheiras” celebram-se tradicionalmente em data não revelada em que os estudantes espalham-se sorrateiramente pela noite dentro e “roubam” tudo o que puderem.

Mudam as mais variadas coisas de lugar, pegam em objetos caricatos e juntam tudo no Largo do Toural. Atualmente, as “Roubalheiras” realizam-se discretamente durante a semana Nicolina, e apesar de a data ser incerta para a população vimaranense, o aviso prévio às forças de segurança permite identificar com anúncios próprios todas as casas ou lojas “assaltadas”. Isto permite que não hajam furtos inesperados.

Fotografia: Joana Meneses


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