Revista Rua

Saber. Entrevista

Braçadas para o sucesso

Luís Leite

Texto: Luís Leite |

Campeã europeia júnior dos 1500 livres, Tamila Holub é a mais jovem atleta da Equipa Olímpica para os Jogos Olímpicos Rio 2016. A bandeira da natação do Sporting Clube de Braga nasceu a 15 de maio de 1999, filha de imigrantes ucranianos, e chegou a Portugal com cerca de 2 anos. Holub tem vindo a realizar uma carreira consolidada. Soma já 27 recordes de Portugal e é o mais promissor talento da Natação portuguesa. 

Fotografia: COP - Comité Olímpico de Portugal

Tens 17 anos, o que esperas do futuro?

Espero que seja tão feliz como está a ser agora. Espero que realmente não mude de atitude que me mantenha igual, que continue a ser a pessoa que sou, que o sucesso não me mude e que continue a melhorar as marcas, que continue a treinar e que continue a ver que o resultado aparece.

 

O que representa para ti estar nos Jogos Olímpicos?

Representa que se calhar o tempo todo que estive a treinar, o esforço, o sacrificio, tudo, tudo, valeu a pena e que vale a pena continuar, até porque gosto daquilo que faço. Realmente sou uma pessoa muito surtuda, porque conheço muitas pessoas que também treinam muito, mas se calhar...não sei, se calhar não tiveram tanta sorte ou são muitos factores. Eu realmente estou muito feliz porque consegui aquilo que realmente sonhei, que ambicionei.

 

Esperavas alcançar esta meta tão cedo?

Sinceramente esperava mas ao mesmo tempo não acreditava muito. Acreditava mais o meu treinador, a minha família, acreditava toda a gente menos eu. Acreditava no fundo, mas era sempre aquela coisa, não consegui bem imaginar-me a mim nos Jogos Olímpicos. Porque os Jogos são aquela coisa enorme, fantástica e eu... Nunca me achei nada assim de sobrenatural, basicamente eu treino e depois vejo os resultados e é muito bom perceber que pelos visto treino muito e que o resultado aparece. É muito bom.

 

Como é ser a campeã europeia de 1.500 metros livres?

É um orgulho enorme, é um orgulho enorme mesmo. Porque lá está. Sentes... Quando estava no pódio e estava a ser a vice-campeã [em 800M livres] e ouvi o hino de outro país e vi a bandeira, pensei: “também quero uma coisa assim para mim”. Realmente estou muito feliz por também ter conseguido, ter feito a mesma coisa, porque é uma sensação fantástica. Realmente não és só tu, sentes a responsabilidade nas costas, porque as pessoas já começam a contar contigo para representares e continuares a evoluir o desporto e Portugal.

 

Quais são os teus objectivos para os Jogos Olímpicos?

Basicamente aproveitar ao máximo a competitividade porque vai ser difícil, vou tentar lutar por uma final mas é extremamente difícil. Se entrasse no top vinte ficava bastante satisfeita. Vou mesmo aproveitar, primeiro para bater o meu tempo, o recorde absoluto, se conseguir isso vou ser muito, muito feliz.

 

Bater recordes é uma missão pessoal?

Basicamente é, porque os meus recordes pessoais calham de também serem recordes nacionais por isso, basicamente quando tenho de bater um recorde pessoal, bato um recorde nacional absoluto ou assim e já tento nem pensar que é assim tão especial, tento pensar que é uma coisa básica. Tento não dar tanto valor porque é uma coisa que temos de estar sempre a melhorar o nosso tempo, a evoluir.

 

Fora do tema desportivo, o que é que esperas dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro?

Espero que façam samba na cerimónia de abertura (risos). Quero mesmo ver. Apesar de todos os comentários, eu até acredito que vai ser tudo bem organizado e a segurança também, vai ser fantástico, porque é aquele sítio onde se une tudo, não há aquela diferença. As pessoas são todas iguais, cada um tem as probabilidades iguais de vencer e é isso que os torna tão especiais. É por isso que toda a gente diz: "Jogos Olímpicos, somos todos iguais", e eu quero realmente fazer parte disso.

 

E vais dançar samba?

(risos) Se houver, ai não! 


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