Revista Rua

Observar. Talento

"Conquistador” João Sousa é o Talento do Ano

Nascido em Guimarães, recebe muitas vezes a alcunha de “O Conquistador” e aos 27 anos, João Sousa conquista o 29o lugar no ranking tornando-se o melhor tenista português de sempre. 

Maria Inês Neto

Texto: Maria Inês Neto |

Começou a jogar aos sete anos de idade com o seu pai, com quem partilha o amor por este desporto, num clube local, o “Clube de Ténis de Guimarães”. Praticou ainda futebol onde jogou no Vitória de Guimarães, clube do qual é adepto e sócio desde sempre, mas aos 14 anos decide seguir uma carreira profissional de ténis. Foi nessa altura e após algumas conquistas a nível nacional que vem a ideia de se mudar sozinho para Barcelona, para a Federação Catalã de ténis. Um ano mais tarde entra para a Academia BTT (Barcelona Total Tennis) onde continua até hoje com o apoio do seu treinador, Frederico Marques. O tenista vimaranense foi ascendendo no ranking ATP tornando-se o melhor jogador de ténis nacional, sendo o primeiro tenista português com o estatuto de cabeça-de-série no US Open em 2014. Nascido em Guimarães, recebe muitas vezes a alcunha de “O Conquistador” que neste caso define plenamente o tenista vimaranense. Aos 27 anos João Sousa conquista o 29º lugar no ranking tornando-se o melhor tenista português de sempre e um dos melhores da atualidade.

 

Quando é que descobriu o seu gosto pelo ténis e o que o levou a seguir esta carreira profissional?

Comecei a jogar ténis aos 7 anos, por influência do meu Pai que me levava com ele para o Clube de Ténis de Guimarães. O que me levou a seguir a carreira de tenista profissional foi a paixão pelo ténis, pela sua complexidade (importância das vertentes física, mental, tática, técnica) e pelo gosto pela competição. É dentro do campo de ténis que me sinto bem!

Com apenas 15 anos decidiu mudar-se para Barcelona. De onde surge a coragem de deixar para trás a família, os amigos e a sua cidade e de que forma a “sorte” poderá ter sido uma boa companheira?

A coragem surge da vontade de perseguir um sonho e da necessidade de o fazer onde estavam reunidas as melhores condições para que esse sonho se concretizasse. Não acredito na “sorte”, penso que a “sorte” é resultado do trabalho, persistência e dedicação.

Sente que de alguma maneira é diferente quando tem a família a apoiá-lo nas bancadas?

Claro, ter o apoio da família fisicamente sabe sempre bem. É uma força extra. Mas mesmo quando não estão presentes fisicamente, eu sei que toda a energia deles está comigo e sinto sempre todo o apoio deles, fundamental em toda a minha carreira.

Todo o trabalho é recompensado mas o talento nato não é suficiente principalmente no desporto. Sente que nasceu para o ténis? Alguma vez imaginou alcançar o sucesso que tem hoje?

Não acredito que alguém tenha nascido para praticar algum desporto. Cada pessoa tem as suas aptidões físicas, técnicas, mentais, genéticas... Depois é o trabalho e dedicação a um desporto/profissão que leva uma pessoa a atingir resultados. Quanto maior for essa dedicação, esse esforço, o espírito de sacrifício e a entrega, maior a probabilidade de se alcançar os melhores resultados.

US Open, Wimbledon, Australian Open e Roland Garros: qual foi o preferido, independentemente dos resultados que obteve, e porquê?

O torneio que gosto mais é o Australian Open devido a todo o enquadramento e ambiente. É algo único, o público vibra como nenhum e é ótimo jogar lá.

Este ano foi cheio de grandes emoções e conquistas. Chegou ao 29º lugar no ranking o que faz de si o melhor tenista português de sempre. De que forma este ano foi importante na sua carreira? Sente que o seu sucesso contribuiu também para o sucesso do ténis em Portugal?

Sim, este ano foi um bom ano. Atingi a minha melhor classificação de sempre (#28 ATP), estive todo o ano dentro do Top 40 ATP (excepto no mês de Novembro), Passei duas rondas no Open da Austrália, no Open dos EUA e em Wimbledon (onde pela primeira vez ganhei um jogo no quadro principal), atingi os ¼ final do masters de Madrid... Foi um ano de consolidação e de boas prestações nos grandes torneios. Penso que é muito importante para os jovens e fãs do ténis verem um português a jogar com os melhores do Mundo. Os media dão mais atenção à modalidade, o que atrai mais fãs e leva a um maior desenvolvimento da modalidade.

Recebe várias vezes a alcunha de “O Conquistador” pelas suas origens vimaranenses e é também muito acarinhado por todos na sua cidade. Sente esse reconhecimento sempre que cá volta?

Sim, adoro a minha cidade, sou Vitoriano de alma e coração e sou extremamente bem recebido e acarinhado em Guimarães.

As circunstâncias da sua vida profissional ditaram que vivesse em Barcelona, mas o seu coração continua cá?

É em Portugal e em Guimarães que tenho as minhas raízes e a minha família. O meu coração está cá mas também já um pouco em Barcelona devido aos meus amigos e à minha namorada que é de Barcelona.

Se pudesse escolher o seu sítio preferido para comer em Guimarães qual seria? E em Barcelona?

Em Guimarães o melhor local para comer é em casa dos meus Pais e em Barcelona é nos restaurantes "Nuba" e "Gambito".

Qual foi a vitória mais “saborosa” e a derrota mais difícil de aceitar?

A vitória mais saborosa foi a na final do Open de Valência pois tinha toda a minha família e equipa presentes. Todas as derrotas são difíceis de aceitar, não gosto de perder.

Se tivesse de escolher o momento mais especial da sua carreira até agora, qual seria?

Talvez tenha sido a primeira vitória numa final dum torneio ATP, em Kuala Lumpur em 2013, pois mostrou que podia ganhar a qualquer um e que tinha o meu espaço na elite do ténis mundial.


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