Revista Rua

Etc. Especial

Conversas da RUA

O passado e o futuro da RUA numa conversa informal e direta, protagonizada por Luís Leite e Andreia Ferreira.
Em momento de festa, a RUA apresenta a sua visão para a posteridade.
Redação

Texto: Redação |

O primeiro ano de RUA nas ruas comemora-se por entre sorrisos de chegada e abraços de partida. Com toda a vontade, Andreia chega à redação da RUA num momento de celebração por um ano de conquistas. Com o sentimento de dever cumprido, Luís despede-se de um projeto que ajudou a criar, rumando a novos horizontes.
Juntos, conversam sobre o passado e o presente da RUA, apontando promessas para um futuro que ambos querem risonho.

Luís - A RUA passa agora a ter uma diretora. Vai ser mais feminina?
 
Andreia - Eu sou defensora da ideia de que as mulheres, um dia, vão dominar o mundo (risos). Não diria que a RUA será mais feminina, mas obviamente que esse fator poderá influenciar o rumo da revista. Continuarei a pensar cada edição de forma global, enriquecendo-a com conteúdos que agradem ao público em geral, sem qualquer depreciação de género. Não faria sentido de outro modo. Mas uma coisa é certa: o sexto sentido feminino apuradíssimo estará bem presente nas nossas páginas. Afinal de contas, nós mulheres, temos um talento natural para descobrir os encantos do mundo. Não é por acaso que tu formaste uma equipa maioritariamente preenchida por mulheres. Não achas? (risos)
 
Luís - Começaste bem. Entraste e foste logo o holofote! Eu precisei de tantos meses… (risos) Sim, a equipa é maioritariamente feminina, mas penso que foi por puro acaso. Quando pensei na equipa foquei-me mais nas qualidades e competências que as pessoas tinham, que reunissem as condições necessárias para criar um corpo composto essencialmente pela irreverência e competência. Contamos com diversos colaboradores que foram de uma importância extrema, quer pelo seu contributo individual para atingir o que pretendíamos alcançar, quer para ter esse equilíbrio de género, alargando o leque de conteúdo de informação e opinião com qualidade. Ao mesmo tempo também adquirimos a missão de formar. Fomos captando talentos para assim podermos construir, aos poucos, um projeto de futuro. Na primeira edição afirmei que éramos uma equipa que fervilhava de entusiasmo. Isso aconteceu sempre, quer na parte editorial, na composição de arte ou na fotografia. Estiveste connosco e assististe a toda esta vontade que temos de fazer perguntas e de dar o nosso melhor no dia a dia. Agora que estás cá, como têm sido os teus primeiros dias na redação?
 
Andreia - Não foi nenhuma surpresa perceber que a RUA tinha um espírito jovem, empreendedor e, sobretudo, muito criativo. Cada reunião, cada conversa mais informal ou troca de ideias facilmente se torna num verdadeiro brainstorming capaz de espantar qualquer um. Isso é ótimo! Faz-nos estar em constante evolução, entrando numa atmosfera construtiva que exige que vejamos todos os assuntos em todos os seus ângulos. Os primeiros dias foram intensos, como era de esperar. Imensa informação para assimilar, novos métodos de trabalho, etc. Mas sinto-me muito bem, fui extremamente bem-recebida.
 
Luís - É um trabalho muito exigente e é natural que estes primeiros dias sejam intensos, mas não serão só os primeiros dias, serão todos os outros! (risos). Posso contar-te um pouco do início. A RUA foi um desafio fantástico, um projeto criado do zero, uma revista impressa, um site, redes sociais. Aquela liberdade e ambiente criativo foram incríveis e os primeiros dias foram de loucos… muita partilha e companheirismo, muitas horas de luta, noitadas, diretas, uma verdadeira aventura. Não me arrependo nada dessas horas de angústia e esforço porque era uma vontade já antiga que estava em sintonia com a raiz do projeto: ter uma revista regional com conteúdo e que revolucionasse a relação que a informação tem com o leitor. Quando me disseram o nome que a revista teria, achei que faria todo o sentido. Mas vamos falar de mudança e do futuro. Como tem reagido a equipa à mudança?
 
 
Andreia - Uma mudança afeta sempre o modus operandi de uma redação, mas a realidade da RUA foi bastante pacífica, para ser sincera. Apenas foi necessário eu própria me adaptar à equipa para acompanhar os ritmos de trabalho, principalmente. É natural que alguns pormenores venham, com o tempo, a ser alterados conforme o meu olhar. Falo por exemplo do modo de tratar o leitor, encarando que o nosso público não está na faixa etária que, no início, foi estabelecida. Deixaremos, de hoje em diante, de tratar o nosso leitor por ‘tu’, mostrando que falamos para pessoas adultas e maduras, com uma mentalidade jovem, claro, mas que já não se sentem inseridas num discurso completamente informal. O ‘bué’ ou o ‘curtir’ já não entrarão nas nossas páginas (risos).
 
Luís - O que achas do trabalho do teu antecessor?
 
Andreia - Falando do Luís como se ele não estivesse aqui, diria que a RUA teve a sorte de contar com um jornalista que vê o mundo como ele é, mas querendo torna-lo um lugar melhor. O jornalismo devia ter mais Luíses. Pessoas que querem contar histórias, sem pressões ou influências de qualquer força. O Luís é um romântico. A sua visão romântica sobre o mundo aproximou as pessoas e fez com que a RUA se afirmasse no panorama regional. Conseguiu, de facto, dar o impulso necessário a uma edição que é diferente de tudo o que já circulava nas nossas ruas. Espero continuar o bom legado que ele me deixou... 
 
Luís - É verdade que sou daquelas pessoas que quer mudar o mundo, que se desilude, mas que não perde a esperança na humanidade. Sou apaixonado pelo que faço e gosto de fazer o impossível possível. Confesso que fiquei extremamente contente por seres tu a suceder-me. A Andreia que conheço irá lutar sempre para o maior sucesso da RUA. Será um privilégio ver como irás trabalhar. A forma de pensar as situações também é muito semelhante à nossa. Devo elogiar a atenção aos detalhes e uma qualidade de escrita excelente. És muito rigorosa e metódica no teu trabalho…
 
Andreia - (risos) A verdade é que sempre fui organizada e atenta com o meu trabalho. Gosto de planear tudo até ao mais ínfimo pormenor, tendo planos alternativos prontos para resolver qualquer problema. O leitor beneficiará com isso. A promessa é de rigor informativo, atenção minuciosa aos textos que serão publicados e uma organização que facilmente o conduzirá pelas nossas páginas. Sempre que isso falhe, cá estaremos para o ouvir. Aliás, eu diria que este método foi o que tu adotaste também, correto? 
 
Luís - Também tinha a ideia de que no jornalismo poderia haver uma criatividade aliada ao rigor inerente à missão de informar, com a integridade necessária para fazer aquilo que as pessoas ainda estão interessadas em ler: reportagens de boa qualidade, quer sejam sérias ou mais divertidas. A RUA surgiu com essa forte aposta no jornalismo de qualidade, com fotografias de qualidade e um design muito cuidado e apelativo. Quisemos estar sempre um passo à frente e, após uma metamorfose gráfica e de alinhamento editorial, a RUA ficou mais completa e imageticamente mais apelativa. Acho que atingiu agora o ponto de maturação para deixar de ser uma promessa e passar a ser uma afirmação. O futuro será um desafio tão grande como o do arranque. Neste momento, consideras que a revista amadureceu? Qual é a tua visão para o futuro?
 
 
Andreia - Podemos ver, numa rápida análise desde o primeiro número, que a RUA mudou. Não falo apenas em termos de posicionamento estratégico. Nota-se uma evolução grande na maneira como os conteúdos são apresentados ao leitor. Hoje, a RUA veste-se de atualidade, tornando-se num ícone da região. O passo seguinte baseia-se na continuação da fidelização de leitores e parceiros, no fortalecimento da nossa presença na área de atuação que propusemos desde início, o Minho, e no reconhecimento do nosso jornalismo como de qualidade. Deixas a RUA com a ideia de que isso é possível?
 
Luís - Sim. É possível e vai acontecer. Também penso que a revista irá sobreviver sempre com o seu ADN porque, ao longo dos anos, os diretores podem mudar, mas a revista fica. Irá evoluir com certeza, mas será sempre a mesma RUA com o seu propósito de trazer o leitor para a revista e oferecer material de qualidade para e sobre a região. Esse mérito, de identidade e continuidade, será sempre de quem teve a ideia original de a fazer nascer, que não fui eu, embora muita gente assim o pense. Assim também terás espaço para contribuir com a tua visão, que será muito importante e que vai trazer consistência. Qual é o teu maior sonho para a RUA?
 
Andreia - Quero, essencialmente, que a RUA esteja em todas as ruas. Que consigamos chegar até aos locais mais recônditos do Minho, contando as suas histórias e convidando as pessoas a conhecerem o que de mais belo temos. As paisagens, as tradições, as gentes. Quero que a RUA cresça de forma sustentável, capaz de assumir uma posição de destaque nos projetos de imprensa regional, que tantas dificuldades enfrenta. Não me preocuparei com a concorrência, porque considero que a RUA é única. E, como únicos que somos, iremos mostrar um trabalho original e criativo, todos os dias. E tu, como te despedes desta nossa RUA?
 
Luís - Saio com orgulho e um sentimento de dever cumprido. Não sou muito nostálgico, mas tenho sempre um sentimento de gratidão com quem me apoiou e com as pessoas que partilharam comigo este percurso. Não digo adeus… prefiro dizer um até já.

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