Revista Rua

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Corrupia, a sidra de Ponte de Lima

Joana Soares

Texto: Joana Soares |

O projeto Corrupia nasceu em dezembro de 2012, na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima, quando duas recém-licenciadas em Biotecnologia, Marlene Araújo e Patrícia Monte, em conversa com um professor, pensaram concorrer ao Passaporte para o Empreendedorismo, medida do Estado, à época, para melhorar o desenvolvimento do país. A ideia seria recuperar e produzir variedades regionais de maçãs, mas depressa se transformou em produção de sidra artesanal. Em reuniões de planeamento da candidatura, o município de Ponte de Lima sugeriu utilizar os meios que já estavam a desenvolver na recuperação de uma tradição quase extinta. Recuperar esta tradição começou com uma brincadeira de alguns funcionários das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro D’Arcos, juntamente com o engenheiro Gonçalo Rodrigues. Criaram o primeiro lote de sidra artesanal para as Feiras Novas, a grande festa do concelho, que se realiza na época das colheitas e produção do vinho de maçã. Com o passar dos anos, foi-se repetindo este momento e desenvolvendo um produto que representasse esta tradição, ao longo do ano.

Após a candidatura, em maio de 2013, foi obtida uma resposta positiva, no mês seguinte. Entre julho de 2013 e junho de 2014, com o apoio desta medida, o projeto foi sendo desenvolvido. Terminada a época de apoio, continuou o estudo de investigação e consumo da bebida, procurando formas de poder criar uma empresa que refletisse a ideia do projeto. Um ponto muito importante nesta história foi apoio da Câmara Municipal, que desde o início tem sido um parceiro crucial no desenvolvimento do projeto. Esta parceria originou, em maio de 2015, um protocolo de cedência de equipamento de produção da sidra e de instalações, que são atualmente a sede da empresa.

Sendo que “corrupia” significa criança traquina, as duas jovens acharam que seria o nome ideal para este projeto, que nasceu de uma traquinice. Assim, em agosto de 2015, criaram a sua própria empresa, lançando a primeira sidra artesanal do país. As duas sócias, com a ajuda de um enólogo e das famílias, sempre deram o melhor de si para dar a conhecer a Corrupia ao país e ao mundo.

Mesmo sendo recente, em setembro de 2016, a marca surpreendeu tudo e todos, arrecadando a medalha de prata no VI Salão Internacional de Sidras de Gala, na classificação de sidra de mesa semi-seca. E porque a sidra Corrupia não podia ficar sozinha, em dezembro de 2016, Marlene e Patrícia lançaram o espumante de sidra, que tem também ajudado ao crescimento da marca. Este crescimento reflete-se nos níveis de produção, que se encontram em 3000 litros de sidra e 1000 litros de espumante de sidra. Também os mercados se têm vindo a expandir: apesar de grande percentagem das quantidades produzidas serem escoadas em mercado nacional, há já uma pequena percentagem escoada através de feiras internacionais, nomeadamente em Espanha, França e Itália.


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