Revista Rua

Observar. Região

Da Barca, com amor

Romaria de São Bartolomeu, em Ponte da Barca

Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

Ponte da Barca, senhora nobre e hospitaleira, a princesa do Rio Lima. De 19 a 24 de agosto, a vila de Ponte da Barca respira tradição com o som das concertinas, dos cavaquinhos, dos bombos, do reco reco a invadir as ruas e a convidar a um pezinho de dança. Considerada por muitos como a romaria mais genuína do Alto Minho, as rusgas que tanta alegria trazem ao povo, para não falar do indispensável presunto, broa e garrafão de vinho, são o destaque destas festas concelhias, na noite de 23 de agosto. Com os cantares à desgarrada em cada esquina, a romaria de São Bartolomeu é vivida numa perfeita simbiose entre o sagrado e o profano, preenchendo as memórias daqueles que crescem com Ponte da Barca no coração. Uma dessas pessoas é Catarina Lima, uma conterrânea de 28 anos que conhece todos os costumes e tradições da vila. Sentindo o seu orgulho aumentar à medida que o fogo de artifício ilumina os céus da Barca naqueles seis dias de gastronomia, artesanato, linho, procissões e cortejos etnográficos, Catarina contou-nos que, apesar das voltas da vida, “é impensável não estar em Ponte da Barca na semana da romaria”. “Desde miúda que me lembro de participar no São Bartolomeu, na inauguração das tasquinhas, nas rusgas, na feira de artesanato... Lembro-me particularmente bem de participar na gincana de bicicletas, que é feita para os mais pequenitos. Uma das características que torna esta romaria tão especial é o conceito de família que existe, onde avós e netos participam na festa com o mesmo entusiasmo”, afirma Catarina, acrescentando: “uma das coisas mais engraçadas é que, no dia das rusgas, pais e filhos aguentam até de manhãzinha juntos. Reza a lenda que na noite de 23 para 24 de agosto o diabo anda à solta”, revela-nos.

Hoje, em dias de romaria, a casa de Catarina enche-se de amigos que vão, propositadamente, para conhecer a romaria de São Bartolomeu. Quase que não há tempo para dormir. “Mas, quando era criança, a minha mãe mandava-me dormir a sesta para que, à noite, pudesse ir ao São Bartolomeu. Então, quando eu acordava, dizia inocentemente ‘mãe, já dormi! Já posso ir ao São Bartolo da mãe?’. Acho que a maioria das crianças passa pela fase de pensar que o São Bartolomeu é de alguém”, diz-nos, entre gargalhadas, Catarina. “O que fica mais da infância são as idas ao carrossel, os balões e o algodão doce”, garante.


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