Revista Rua

Apreciar. Minhotos pelo Mundo

Em busca do sonho americano

Nuno Ricardo Sousa, 36 anos - Nova Iorque

Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

Natural de Galegos Santa Maria, em Barcelos, Nuno Ricardo Sousa, com 36 anos, partiu há 15 meses para Nova Iorque em busca do sonho americano. Na mala, levou apenas a sua paixão pela cozinha e pelo futebol. Nenhum amigo que o auxiliasse, nem nenhuma casa que lhe desse guarida. 
Um aventura arrojada?

Com o sabor a liberdade, Nova Iorque abriu-se frente aos olhos de Nuno Ricardo Sousa como uma escapatória para a vida que tinha em Portugal. Uma vida cheia de coisas boas, como ele nos conta, mas com falta de desafio. Talvez a bola que, por entre pontapés e cabeceamentos, fazia correr a sua profissão de treinador de futebol se tenha assemelhado a um autêntico globo, à espera de ser descoberto. Num lance arriscado, o minhoto saltou para o outro lado do mundo, pensando atirar para canto um prolongamento na sua carreira no universo que leva o sangue português a fervilhar.
 
 
O futebol pendia a ficar nos relvados nacionais, mas quando Nuno se aventura numa cidade onde milhões de pessoas circulam por dia, todas em busca de algo, o futebol mostrou ser o responsável pelo apito inicial no desafio que ele tanto ansiava. “Nova Iorque é uma cidade cheia de oportunidades para quem quer mostrar os seus talentos, seja em que área for. Quando vim para cá não vinha com a ideia de continuar a minha carreira no futebol. Parecia que tinha perdido a paixão pelo jogo. Então, outra das minhas paixões era a cozinha e pensei que não havia melhor sítio no mundo para tentar do que aqui”, recorda Nuno. No entanto, a sua casa em Brooklyn não se sustentava sozinha, daí Nuno ter enviado currículos para algumas academias de futebol. “Passado duas semanas já estava a treinar.
 
Em três meses, treinava cinco equipas em simultâneo. Depois, comecei a dar formação a treinadores, em duas academias e tornei-me diretor técnico de uma academia com mais de 250 atletas. Pelo meio, ainda comecei a treinar uma equipa semiprofissional no campeonato mais competitivo do estado de Nova Iorque”, afirma, radiante. 
 
 
Deixando a felicidade apoderar-se dele, Nuno foi descobrindo uma cidade que considera incrível: “Aqui encontrei mil e uma razões para me sentir confortável. Nova Iorque tem uma energia fascinante! Fiquei apaixonado desde o primeiro momento. Só pensava: ‘porque não vim viver para esta cidade mais cedo?! Brooklyn é o refúgio dos artistas e dos pensadores de Nova Iorque e aqui pode encontrar-se tudo. Há sempre algo novo a acontecer. Lembro-me que, logo na primeira noite, estive à conversa com pessoas da Austrália e da África do Sul. Foi fantástico poder partilhar tudo de uma forma tão natural e sem receios”, assume o treinador de futebol. Perdendo-se de amores pelos parques, pela oferta cultural, pela Brooklyn Bridge ou pelas zonas de Dumbo e de Williamsburg, Nuno acredita que esta aventura arrojada lhe tem trazido coisas boas. Mas, mesmo com o sucesso futebolístico, não esqueceu o seu outro sonho. “Comecei a minha empresa há três meses. Chama-se Gourmetbynuno e com ela faço consultoria na área da restauração. Crio menus e dou formação a cozinheiros. Vou agora para o terceiro projeto diferente, em restaurantes com cozinhas completamente opostas, o que me deixa bastante feliz. À parte disso, sou um dos chefes do EatWith, um novo conceito global onde as pessoas compram um bilhete para ir comer a casa de alguém, caso gostem do menu apresentado”, explica-nos. “Sinto-me bastante feliz porque faço as duas coisas que mais gosto!”, remata o cozinheiro, de bola nos pés.
 
 
 

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