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Estudar no oriente

Patrícia Lima vive em Tianjin

Fernando Morant

Texto: Fernando Morant |

Patrícia Lima estuda mandarim na cidade chinesa de Tianjin, uma metrópole próxima de Pequim com mais de 15 milhões de habitantes. 

O impacto inicial fez-se sentir logo no primeiro momento em que pisou o Grande Oriente: os olhares das pessoas perante estrangeiros como se fossem “animais exóticos ou algo do género”; as diferenças gastronómicas, que a obrigaram “a comer carne e arroz pela manhã”. Mas apesar desses choques inicias, a recepção dos chineses foi, em geral, calorosa.

Estudar na China é muito diferente de estudar em Portugal. Mas estudar uma língua como o mandarim numa cidade chinesa até tem as suas vantagens: “Na China sou obrigada a falar constantemente mandarim, tudo à minha volta está em mandarim, ou seja, desenvolve-se muito a capacidade linguística”. A universidade onde estuda tem muitos estrangeiros o que é sempre bom para se ambientar a outras línguas e para conhecer outras pessoas.

 

Não existe em Tianjin uma comunidade portuguesa numerosa. Isso explica, de certo modo, um desconhecimento generalizado que os chineses têm acerca dos portugueses. No entanto, na pequeníssima comunidade portuguesa existe muita entreajuda e todos os anos reúnem- se para celebrar o Natal, uma festa que não é muito popular na China. A mais popular é a do Ano Novo Chinês.

Tianjin é hoje uma grande metrópole que tem muito para oferecer a quem visita. Os mercados tradicionais e os monumentos antigos foram o que mais agradou a Patrícia. Também agradou-lhe muito o facto de a bicicleta ser muito usada por estes lados, mais do que em Portugal. A ginástica é prática comum por estes lados o que faz com que os chineses se mantenham “elegantes, saudáveis e rejuvenescidos.”

Contudo, grande obstáculo para se poder viver em Tianjin é, sem sombra de dúvida, a poluição. Tal como em Pequim, Tianjin está a braços com um grave problema de poluição. Patrícia sente isto na pele porque sofre de doença de Crohn, uma doença in amatória intestinal, o que complica a sua estadia em Tianjin. Outro problema são restrições impostas pelo governo chinês: sites como o facebook e o youtube só são permitidos com o VPN (Virtual Private Network, Rede Privada Virtual em português).

Mas a maior (e a mais comum) dificuldade de todos os emigrantes são as saudades de casa. “É preciso muito estofo para ficar longe de quem amamos, abdicarmos das coisas mais simples como um café, o ar puro, a comida”. Para matar as saudades, Patrícia conta com o apoio das suas colegas portuguesas e também da sua família, com a qual mantém contacto através da internet.

Sobre o seu futuro, Patrícia não tem pensado muito sobre isso. Tendo em conta a sua condição médica é muito complicado permanecer em Tianjin. Por isso, tenciona voltar a Portugal logo que terminar os estudos porque “só experienciando a vida noutros países é que nos damos conta que Portugal é um óptimo país.” 

 

Este  artigo foi escrito ao abrigo do protocolo com a Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais de Braga, Curso de Ciências da Comunicação.


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