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Lifestyle. Arrasar

Famalicão Fashion

Quando a moda conhece uma passerelle invulgar

Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

A atmosfera fria do Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave pode não ser, à partida, o ambiente mais acolhedor para um serão de sábado à noite. Mas a ALL Management, uma agência de produção de eventos, alterou por completo esse mito e levou o glamour da moda a um espaço que facilmente se transformou numa autêntica passerelle. O Famalicão Fashion aconteceu no passado sábado, dia 29, e apresentou as coleções de Primavera/Verão de sete lojas do concelho de V.N. Famalicão.

A azáfama no backstage fazia antever que a hora do desfile estava prestes a chegar. Pelo labirinto criado no Museu da Indústria Têxtil, numa passerelle que serpenteava as antigas máquinas têxteis que, em tempos, davam vida a um concelho marcado pelo império dessa indústria, já modelos caminhavam em jeito de treino. Passos bem marcados, cabeça bem erguida, corpo bem posicionado. O trajeto já estava memorizado, mas os nervos em franja faziam repetir uma e outra vez aquela tão distinta catwalk. No backstage, os pormenores iam sendo aprimorados. Tendo em conta a realidade daquele espaço, que no final de contas é um museu, não encontrámos camarins elegantes, mas a elegância era a palavra de ordem. Roupas penduradas nos cabides aguardavam que corpos quentes as retirassem daquela atmosfera fria. Sapatos espalhados pela ampla sala esperavam não dar como perdidos o seu par. Penteados iam, aos poucos, sendo aperfeiçoados pelas especialistas da ART’S enquanto a maquilhagem ia cuidadosamente sendo esculpida pelas técnicas da itStyle. Tudo parecia estar organizado em termos de timings, mas havia uma pessoa, de papel e caneta em punho, que exigia organização ao extremo: Paula Ferreira, não fosse todo o desfile depender da sua postura como responsável pela produção do Famalicão Fashion. Sempre muito firme e atenta, Paula dava as indicações de última hora, confirmava que todos os modelos estavam no devido lugar e preparava a saída das marcas para a estreia naquela passerelle. Ao mesmo tempo, Ricardo Azevedo, também responsável pela agência ALL, cumprimentava os convidados e ia controlando todos os pormenores para que o início do desfile surpreendesse os presentes. “O objetivo principal deste desfile é promover o comércio de rua. Promover o que é tradicional. Propusemo-nos a fazer algo que aliasse a moda e a cultura, aproveitando os edifícios do concelho de V.N. Famalicão e dando-lhes vivacidade. Penso que é um conceito inovador. Tendo em conta o ambiente deste museu, um ambiente têxtil, achámos que fazer o desfile aqui faria todo o sentido”, explica Ricardo, não deixando de mencionar que as dificuldades a nível logístico foram o maior entrave nesta organização. “O museu tem máquinas têxteis que chegam a pesar dez mil quilos, tornando complicado a modificação da sua disposição no espaço. Mas penso que conseguimos criar aqui um labirinto de passerelle perfeito para os modelos mostrarem as coleções de sete lojas de Famalicão”, garante Ricardo.

Tentando aproximar a moda das pessoas, num conceito mais intimista que trouxe ao Museu da Indústria Têxtil cerca de 300 convidados, o Famalicão Fashion contou com a colaboração de diversas lojas bem conhecidas no panorama comercial da cidade de Famalicão. Piedino, uma loja de Teresa Mesquita com várias marcas conceituadas na sua oferta, principalmente a nível de roupa infantil; Ella, uma loja de roupa feminina que surpreende os olhares dos presentes com os seus modelos de cerimónia; Maria Marinho, uma marca já com 25 anos de experiência na confeção de “Sonhos por medida”; Who’s Crazy, uma loja que garante a elegância masculina e feminina, dos 14 aos 60 anos; Ten, a boutique situada nas traseiras do Shopping Town, procurada por quem anseia looks mais desportivos e casuais; E.Leclerc, com as suas propostas de moda direcionada para clientes de faixas etárias variadas; Cisne Branco, uma loja reconhecida pela sua diversidade em termos de marcas de roupa íntima, tanto focada no conforto do homem como da mulher; e ainda a Miss Molly, um conceito inovador a nível de calçado.

Funcionando como estímulo ao comércio tradicional, o Famalicão Fashion promete voltar para o ano: “Isto é um projeto para ser levado para a frente, para continuar. Nesta edição, não tivemos verbas da Câmara Municipal, apenas o seu incondicional apoio logístico. Mas para o ano já há um compromisso para nos ajudar a criar outra estrutura, permitindo que se faça algo mais abrangente, tanto a nível de espaço como de público”, afirma Ricardo.

 


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