Revista Rua

Apreciar. Música

Forest Swords encheram o gnration

"Foi um dos concertos do ano e não sou só eu a dizer isso..." 

Marta Alves

Texto: Marta Alves |

Ontem foi dia do gnration receber mais um músico da eletrónica. Forest Swords é o seu nome e com ele trouxe a apresentação do mais recente álbum, o Compassion. Depois de ter feito parte da programação do festival Semibreve em 2013, o britânico Matthew Barnes fez uma paragem na produção de discos e só em maio deste ano é que regressou com um trabalho que é considerado por várias revistas como um dos melhores do ano. 

Os bilhetes esgotaram e a prova disso foi a sala da blackbox completamente cheia. 

O trabalho discográfico de Forest Swords tem início com o EP Dagger Paths em 2010 e só passado três anos é que avançou para uma longa-duração com Engravings, um álbum muito elogiado pelos media internacional. Sempre numa onda experimental e com uma forte presença de graves do dubstep, o produtor e compositor Barnes construiu o segundo disco Compassion depois de quatro anos de um processo de maturação musical. Este novo disco dá-nos conta de uma narrativa que retrata a primeira vaga de migrantes que viajaram do porto de Liverpool para Nova Iorque. É feita uma abordagem crua, densa e, até mesmo, tortuosa dessa realidade. Esta afirmação pode dizer-se que é transparente e incontestável, uma vez que os próprios títulos das faixas não deixam enganar. "Panic", "War It" e "Vandalism" são três exemplos.

O concerto de ontem ficou marcado por um início de sonoridades mais ambientais e, posteriormente, pela execução dos temas mais conhecidos que asseguraram uma atmosfera mais intensa e energética. Foi, de facto, notável como o público ficou atraído por essa densidade eletrónica que Forest Swords, juntamente com o baixista James Freeman, tanto gosta de transmitir. 

Aliada à música, o espetáculo contou ainda com a disposição de luzes focada nos artistas e na envolvência de uma linguagem visual cromática, onde a criatividade e originalidade pautou. As projeções contaram com uma longa viagem pela natureza, com a qual o ser humano mantém uma forte e dura relação. As imagens de água, árvores, flores e determinados movimentos corporais foram predominantes e pareciam hipnotizar os ouvintes. Tudo dava a crer que as pessoas estavam divididas entre fechar os olhos para sentir a produção musical e a contemplar a arte digital.

O espectador Eduardo Silva confessa que não conhecia muito bem o artista e que soube do concerto através de uns amigos. Curioso, foi até ao gnration e diz que não se arrependeu. Considerando o álbum como um trabalho “excelente”, Eduardo afirma também que tinha algum receio que pudesse “perder um pouco o brilho ao vivo”. “Mas, muito pelo contrário, a experiência de o ouvir ao vivo foi ainda melhor”, conta.  Na perspetiva de Eduardo, o espetáculo de Matthew Barnes teve um fio condutor bem conseguido, dado que “ter deixado as músicas ‘mais conhecidas’ para o fim foi simplesmente o culminar da experiência que ele pretende transmitir nos seus concertos. E, com isto, não deixou de passar pelo Engravings, o que foi ótimo". 

Já o ouvinte Óscar Santos, que já tinha visto a atuação do artista no Semibreve, admite que preferiu o concerto de ontem por ter tido um contexto em nome próprio e por considerar que “o Compasssion está certamente na tabela dos melhores álbuns deste ano”. “Certamente que foi um dos concertos do ano e não sou só eu a dizer isso, pois as conversas do público no fim do concerto comprovaram isso”, reforça o espectador. 

 

“É um álbum de música ambiente com ricas texturas de diferentes fontes que enquadra elementos de arranjos de voz, jazz, field recordings, sons tribais, entre outros. É um álbum que resulta perfeitamente também quando é tocado ao vivo como foi possível testemunhar. Certamente que foi um dos concertos do ano e não sou só eu a dizer isso, pois as conversas do público no fim do concerto comprovaram isso."

(Óscar Santos)

 

Para este ouvinte, o campo visual foi “uma mais valia por conseguir dar uma maior presença e imaginação através do enquadramento perfeito de som, luzes e projeções”. “Foi certamente mais rico do que se tivesse ficado apenas por um espetáculo inteiramente musical. Acho que em relação a isso é bom o Matthew Barnes ser também um designer gráfico e fotógrafo”, diz-nos Óscar.  

Forest Swords despediu-se depois de uma atuação de uma hora. O público ainda ficou à espera que voltassem. Não aconteceu. 

 


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