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Gabinete de Apoio à Vítima de Braga celebra 25 anos com novas instalações

Marta Alves

Texto: Marta Alves |

Na passada quinta-feira, o Gabinete de Apoio à Vítima de Braga comemorou um quarto do século com a renovação das instalações. Entre outras intervenções, a cerimónia contou com o Presidente da APAV que sublinhou que foram “25 anos de dificuldade, de obstáculos, mas também de necessidade de prestar apoio a quem mais precisa”.

A sala estava composta com as mais diversas entidades e instituições da cidade.  

Com todas as pessoas sentadas, estava tudo pronto para iniciar o evento. O arranque deu-se com um momento musical protagonizado pelo CAUM, coro académico da Universidade do Minho.

Seguiram-se os discursos dos órgãos políticos que realçaram o valor e a importância do trabalho que o terceiro gabinete de Apoio à Vítima de Braga tem para a comunidade. Na perspetiva do Presidente da Junta de São Victor, Ricardo Silva, este exercício de apoiar pessoas que vivem em sofrimento por os mais variados crimes é “uma missão”. “Uma missão que abraçamos, que nos responsabiliza mais e melhor pela população”. Refere também que há uma vontade de aprimorar os laços com a APAV: “se trabalhamos com pessoas temos que melhorar as suas condições”.

Entretanto, foi a vez do Vice-Presidente Firmino Marques subir ao palco. O discurso passou primeiro pelo elogio à renovação do espaço e só depois é que o político que conhece bem os cantos à casa, tendo em conta que foi durante 12 anos Presidente da Junta, frisou mais que uma vez que “os números de vítimas são alarmantes, preocupantes para todos”. Reconhece que o trabalho deve passar também pelo tratamento do agressor e que há uma forte necessidade de colocar esta temática num contexto pedagógico, sendo as escolas uma forma de consciencializar e de chegar mais longe.

Terminou dizendo que “o ser humano é tão importante quanto outro qualquer” e deixou a dica para continuar a pôr as “mãos à obra”.

A última intervenção foi encabeçada pelo Presidente da APAV, João Lázaro, que, muito rapidamente, manifestou a missão da instituição que passa “pelo atendimento condigno” e pelo olhar atento em “servir quem é vítima de crime”. Deu a conhecer que passam pelos gabinetes 80 crimes das mais variadas naturezas e que só durante este ano foram elaborados 1700 atendimentos. Apesar do número ser considerável e ser um dado infeliz, o Presidente sente que hoje as pessoas já se mostram mais capazes de chegar até à ajuda. Os números indicam exatamente essa progressão, visto que no primeiro ano de existência, o GAV Braga apoiou apenas 55 vítimas.

O atendimento pode ser feito de forma presencial, telefónico e escrito (sendo este último menos frequente) e são prestados apoios nas diferentes áreas, como jurídico, social e psicológico, não só às vítimas que vivem atormentadas pela situação, mas também às pessoas que a acompanham como a família e amigos. Tudo de forma gratuita e confidencial.

Em conversa com uma voluntária, sabe-se que as vítimas chegam das mais diversas maneiras. “Há casos em que o primeiro contacto que temos é com uma terceira pessoa que resolve ajudar a vítima e só mais tarde é que a mesmo decide também contactar-nos. Há vítimas que nos chegam através do encaminhamento de outras entidades com as quais estamos em contacto, fruto do trabalho em rede desempenhado”.

O fim da cerimónia ficou encarregue às vozes estudantis com o Hino da academia minhota.


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