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Garfe: aldeia presépio abençoada pelo Papa Francisco

José Abílio Coelho

Texto: José Abílio Coelho |

Dos quatro evangelistas canónicos foi S. Lucas quem mais destacou o natal de Jesus. E, mesmo assim, não gastou mais que umas poucas linhas para descrever o episódio sobre o qual, nos dois últimos milénios, tão grande número de artistas se debruçou, transformando o nascimento de Deus Menino numa das mais belas e significativas representações bíblicas.

 
Rezam os cronistas que o presépio, como hoje nos surge, foi engenhado por S. Francisco de Assis, em 1223, embora se conheçam representações do nascimento e da adoração dos Magos desde pelo menos o século IV. Com o Renascimento o tema foi-se tornando cada vez mais apelativo para pintores e escultores e a paixão pelo presépio foi de tal modo cultivada que, aos poucos, tomou lugar em todas as casas do mundo cristão.

É de um pequeno presépio que tínhamos em casa, montado dentro de uma caixa de vidro e composto por dezenas de figuras minúsculas, mas de uma beleza plástica invulgar, que ainda hoje me recordo quando mentalmente regresso aos natais da minha infância.

Foi certamente para recordar tempos de idêntica magia que, há quinze anos atrás, um sacerdote sonhador, Pe. Luís Peixoto Fernandes, lançou a ideia de na sua paróquia, Garfe, concelho da Póvoa de Lanhoso, os vizinhos de cada lugar construírem em espaço público um presépio. Queria que os presépios fizessem regressar cada um dos seus paroquianos à mensagem primitiva: a um tempo de paz e de fraternidade entre os homens, recordando-lhes que Jesus nasceu na maior pobreza e que Natal, se comemora esse nascimento, não pode ser sinónimo de esbanjamento e despesismo.

A pequena aldeia respondeu afirmativamente, e nesse primeiro ano poucos foram os lugares que não construíram o seu presépio. Estes conquistaram boas vontades, foram divulgados ao mundo pela comunicação social, a mensagem passou de boca em boca e Garfe tornou-se, desde então e por altura do Natal, local de passagem obrigatória para milhares de pessoas, idas das mais diversas terras de Portugal.

Este ano serão dezanove os presépios, pequenos ou grandes, montados um pouco por toda a freguesia que se transforma, ela própria, num presépio, tantas as pessoas que correm a ver de perto o Menino Deus. Mas este Natal será especial. É que, tendo chegado ao conhecimento do Papa Francisco “a generosidade com que a comunidade paroquial de Garfe abraçou o compromisso natalício de reproduzir nos diversos pontos da terra o nascimento do Filho de Deus…”, epigrafou Sua Santidade às gentes da aldeia que “onde nasce Deus, floresce a misericórdia”, lançando sobre toda aquela comunidade a sua Bênção Apostólica.

"Póvoa de Lanhoso - a estrela do Natal" começa já no dia 11 de dezembro


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