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Humor: 16 anos de Quim e Zeca

20 minutos com… João Paulo Rodrigues e Pedro Alves são “Quim Roscas e Zeca Estacionâncio”, a dupla de humoristas que nos faz rir desde 2000. 

Adriana Castro

Texto: Adriana Castro |

Desde a rádio, a televisão e até ao cinema, esta dupla tornou-se num caso sério de popularidade com salas esgotadas por todo o país.

O João e o Pedro contam já com 16 anos de trabalho juntos. Como é que um simples bar de stand-up comedy no Porto vos conseguiu juntar e marcar a vossa vida?

João Paulo − Houve logo uma grande cumplicidade quando convidei o Pedro (Zeca Estacionâncio) para subir ao palco. E essa cumplicidade vê-se, sente-se e nota-se em todas as gargalhadas que damos nos espetáculos. Não se pode dizer que foi exatamente no bar que começou esta jornada, mas sim que se foi criando um laço ao longo destes anos com muitas horas na estrada.

Pedro − O nosso encontro foi obra do acaso. Fui ao bar Púcaros no Porto e fiquei admirado pelo facto de um bar bem frequentado ter dois gajos em palco a contar anedotas com asneirada valente e toda a gente a gostar imenso! Fiquei com a sensação de estar no paraíso de tal maneira que acabei por indevidamente contar o final de algumas anedotas... O Jota era um dos que estava em palco e desafiou-me a contar uma anedota, assim fiz e correu bem! Acabámos por iniciar um processo de amizade/trabalho que dura até aos dias de hoje.

Começaram por trabalhar juntos na Rádio Nova Era. Entenderam-se logo ou andaram às “cabeçadas” nos primeiros tempos?

João Paulo − Demos as nossas cabeçadas como em qualquer relação, mas com o tempo fomos aprendendo a respeitar o espaço um do outro.

Pedro − Eu já trabalhava na Nova Era desde os 19 anos e conheci o Jota seis anos depois. A personagem Zeca Estacionâncio já tinha sido criada por mim para programas da Nova Era, um deles era o Terminal do Engate e o outro foi o Acorda, o programa da manhã que existiu durante 6 anos... 

O Acorda acabou por ser uma peça fundamental nesta caminhada porque acabou por se juntar à equipa um elemento fresco, sem vícios de rádio, com um humor particular e com uma enorme capacidade de improviso, a juntar a todas estas características um excelente guitarrista e cantor exímio... Conclusão, o Zeca Estacionâncio passou a ter a companhia do Quim Roscas!

Obviamente, demos algumas cabeçadas mas todas elas foram cimentando algo muito importante, a amizade juntamente com o facto de sermos colegas de trabalho.

Quais eram os vossos planos para o futuro antes de se conhecerem? Alguma coisa na vossa vida indicava que poderiam seguir pelo caminho do humor?

João Paulo − Nunca pensei fazer carreira no humor. Estava na faculdade de direito naquela altura e, para mim, o meu futuro passaria por uma carreira jurídica. O humor na minha vida aconteceu e eu simplesmente limitei-me a deixar-me levar.

Pedro − Os meus planos de futuro eram acabar o curso de engenharia mecânica e ser piloto de automóveis. Estes planos acabaram por ficar adiados para mais tarde. Tudo porque a rádio meteu-se no meu caminho aos 16 anos, e daí em diante foi sempre a andar até aos dias de hoje!

Como é que as personagens “Quim” e “Zeca” apareceram nas vossas vidas? Inspiraram-se em alguém em concreto?

João Paulo − O Zeca Estacionâncio surgiu na rádio Nova Era num programa chamado Terminal do Engate, como o Pedro já disse. O Quim Roscas foi uma personagem inventada “à pressão” quando comecei a fazer o programa das manhãs da Nova Era.

Pedro − O Quim e o Zeca apareceram de forma normal neste processo da rádio, não nos inspiramos em ninguém.

O vosso primeiro programa televisivo, o Telerural, transmitido em horário nobre, foi um grande passo nas vossas carreiras. Há algum projeto em mente parecido com este ou sentem-se mais confortáveis quando estão no palco?

João − Nós gostamos de fazer rir: ponto. O palco e a estrada são para nós como uma segunda casa. Foi lá que crescemos e é ali que nos sentimos completamente livres. Temos muitas novidades que vão surgir para o próximo ano, mas ainda não podemos revelar.

Pedro − O Telerural, sem dúvida, em horário nobre foi algo que nos potenciou muito, mas a televisão já era algo que fazíamos há cinco anos. Já tínhamos passado pela Praça da Alegria e outros programas da RTP. Temos sempre algo em mente para concretizar e neste momento estamos focados no ano de 2017, vai ser um ano fantástico com grandes e boas surpresas… 16 anos de surpresas!

Como humoristas, manter as piadas “frescas” deve ser algo complicado, principalmente para uma dupla tão conhecida como a vossa. Os vossos espetáculos funcionam sempre com o improviso ou têm sempre tudo planeado? Qual é o segredo?

João e Pedro − O segredo é a alma do negócio. Tal como um mágico nunca revela os seus truques, nós também não podemos dizer exatamente como nos surge este nosso lado. Quando subimos ao palco não combinamos nada, temos apenas o compromisso de nos divertimos e temos a sorte de ao longo destes 16 anos as pessoas embarcarem connosco nesta alegre aventura!

É difícil para as pessoas verem-vos passar na rua e não vos associarem às personagens. Qual foi a situação mais engraçada que já vos aconteceu?

João Paulo − Cheguei ao aeroporto, o Pedro saiu primeiro e eu demorei mais algum tempo porque estava à espera da mala. Quando saí fui mandado encostar pela polícia, que me revistou de alto a baixo, e depois percebi que tinha sido o Pedro que tinha pedido para eles me fazerem uma partida.

Pedro − Quando andamos juntos na rua é mais complicado passarmos despercebidos, é normal sermos confrontados com pedidos de uma piada ou falarem de certos personagens que fazemos. Isto só demonstra que aquilo que fazemos preenche a vida de alguém, e é muito bom sentir isso. A situação que mais me diverte é o facto de eu ser o Zeca Estacionâncio e muitas vezes me perguntarem se eu sou o Quim ou o Roscas!

Para além de humoristas, vocês são pais e maridos. Como é a vida lá em casa? É difícil desligarem-se das personagens?

João Paulo − Na minha casa não entram personagens. Sou naturalmente bem disposto, faz parte da minha maneira de ser, mas é para mim uma necessidade chegar a casa e deixar as personagens à porta e ser eu novamente.

Pedro − A vida em casa é absolutamente normal, sou um pai comum que faz coisas comuns com os filhos e mulher. O tempo que passo em casa é naturalmente mais escasso, mas aqui é que está a principal diferença... O que faz com que as coisas sejam vividas mais intensamente com a família!

E agora, para terminar, qual é a característica que mais invejam um no outro?

 

João Paulo − O companheirismo durante as viagens que fazemos, ele adormece sempre.

Pedro − A característica que mais admiro no Jota, e invejo-o por não conseguir ser assim em tudo, é a resiliência. 


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