Revista Rua

Apreciar. Música

Lado Esquerdo, o lado do coração

Nuno Sampaio

Texto: Nuno Sampaio |

Alex (voz) e André Alfenim (guitarra) apresentam Lado Esquerdo, banda da cidade invicta mas com fortes ligações ao Minho. Situados entre o Pop, Rock e Acústico, a banda do Porto apresenta no mês de março, no Teatro do Bairro  e na  Casa da Música, dois concertos recheados de "história e vida", mas também com algumas novidades.

Podemos começar pelo nome: Lado Esquerdo “não é uma marca política”, mas sim “o lado do coração”. Esta sintonia com temas urgentes numa sociedade cada vez mais envolta de violência espelha a filosofia da banda?

Alex - Constatar a filosofia do projeto é para mim um processo de esforço, não existe uma mensagem comum. Aliás, talvez nem exista essa tal mensagem comum numa só música. São palavras, frases, escritas pela conjugação do momento e do meu interior. Claramente já me forcei a responder a esta questão anteriormente. O mais aproximado a que cheguei de uma resposta? Idealizamos um mundo melhor sim. Quer dizer, provavelmente simplesmente, idealizamos um mundo.

 

Como definem a vossa música?

André Alfenim - A nossa música é universal, é para ser cantada e acima de tudo, escutada. Navegamos por vários estilos: se tivermos que definir, talvez seja mais o pop, o rock e o acústico, mas sem nunca pensarmos muito nisso nem nas fronteiras e limites dos estilos musicais. É sempre importante que tenha aquela energia que caracteriza o nosso repertório e que ao vivo ponha as pessoas a acompanhar e a dançar.

 

São uma banda do Porto e cantam na língua de Camões. Cantar em português foi uma escolha difícil, sabendo que a mensagem é mais difícil chegar além-fronteiras?

Alex -  Para mim é uma escolha óbvia: mais difícil chegar além-fronteiras, sim, mas muito mais natural, próxima e direta a comunicação das músicas dentro das fronteiras. Sou português, vivo e vivi sempre em Portugal, a escrita na nossa língua é a abordagem mais orgânica. Respeito inteiramente  quem  canta em inglês. O desafio maior (já depois da escrita) é apoderares-te das palavras de uma forma que as consigas passar às pessoas (com expressão e identidade, só assim tornas essa experiência memorável - são poucos os artistas nacionais a cantar em inglês que o conseguem fazer).

 

Já foram comparados a Ornatos Violeta, uma das bandas mais queridas em Portugal e, com certeza, um dos maiores elogios no mundo da música nacional. Onde querem chegar com a vossa música?

André Alfenim -  A nossa maior pretensão é chegar ao máximo de pessoas possível e deixá-las formar a sua própria opinião, sem interferências. Também seria interessante a ideia de atravessar gerações.

 

Em setembro de 2016 estrearam “Julho”, o single que no Youtube teve mais de 100 mil visualizações. Este foi o ano de viragem para a banda, visto que andam por cá desde 2009?

André Alfenim -  Foi o lançamento do primeiro single do nosso primeiro álbum, um momento marcante. Até então houve um processo de crescimento e quando sentimos a necessidade de passar para um patamar superior, fomos para estúdio. A partir do momento que tivemos aquele álbum na mão, passamos a ter novas preocupações e necessidades e fomos procurando descobrir como dar a melhor resposta. Foi todo um processo de aprendizagem, que continua hoje em dia, e que nos tem levado a alcançar algumas vitórias das quais nos orgulhamos.

Alex -  A nossa entrega leva-me a acreditar que o momento de viragem é sempre o presente, é agora. Foram todos, na verdade. Todos os palcos, todos os desafios.

 

Como foi partilhar o palco com músicos tão importantes como o Zé Pedro  e Kalú (Xutos & Pontapés), Fernando Cunha (Delfins, Resistência) ou João Grande (Táxi)?

Alex - Foi inesquecível. É a palavra que melhor traduz esses acontecimentos. Há mais: privilégio, aprendizagem, emoção e montanhas de adrenalina. Essas participações foram marcantes no nosso percurso, na primeira metade da nossa história. Produzimos anualmente até 2014 um concerto especial no Hard Club, onde participaram os convidados. Todos eles distintos, em personalidade, e na forma como nos mostraram a maneira de cresceres em palco (ou fazeres o palco crescer).

 

Ainda existe espaço, no panorama nacional, para música nova? Ainda existe música por reinventar?

André Alfenim - Começando pela última pergunta, sim, absolutamente. A música é constantemente reinventada, a diferença é que hoje em dia, com a quantidade existente e as facilidades de acesso é  preciso  saber  procurar essa música renovada, o que nos leva à questão do espaço no panorama nacional. Há o espaço que se cria e o espaço que já existe. Se ambicionamos o espaço que já existe somos obrigados a seguir as tendências e isso não é propriamente reinventar. Mesmo os meios de comunicação que alegadamente promovem a nova música seguem padrões e tendências. No final, resta acreditar e lutar para criar o nosso próprio espaço, a nossa própria música, a nossa base de fãs, e caso alcancemos o sucesso  desejado, o mérito será verdadeiro e livre.

 

Quais são os projetos para 2018? Onde é que vos podemos ver e ouvir?

Alex -  Acreditar”, o nome do primeiro single, do novo álbum, dos espetáculos que se seguem. E mais ainda, o nosso estado de espírito. Os singles e os vídeos estão disponíveis para o mundo. Em palco entoamos Lado Esquerdo numa experiência que desejamos única e inesquecível: queremos percorrer Portugal em 2018.

 

O que têm planeado para os concertos de março, no Porto?

Alex -  Vamos interpretar o primeiro álbum quase na íntegra, bem como a maioria das músicas do novo trabalho também. Vamos transpor (com uma intensidade ainda maior que a dos temas em estúdio) a nova dimensão de Lado Esquerdo que estamos a fazer acontecer em 2018: palavras ditas mais próximas dos ouvidos das pessoas, mais verdade, mais força e energia. É claramente aliciante para nós e para o público partir para o Teatro do Bairro e para a Casa da Música com um alinhamento no qual metade das canções foram lançadas ao longo dos últimos dois anos (transportam vida, histórias e reconhecimento) e a outra metade está fresca e renovada, em estreia. Há já uma pessoa convidada, e muitas mais surpresas.

 

Alguma mensagem que queiram deixar ao público minhoto? Podemos contar convosco por estes lados?

Alex - Já estivemos por várias ocasiões em Braga, em Ponte de Lima, em Ponte da Barca. O berço do nosso novo álbum foi o AMP Studio, em Viana do Castelo, com produção do Paulo Miranda. O nosso primeiro vídeo do ano foi filmado no Gerês. O passado e o presente têm o Minho inscrito no Lado Esquerdo. O futuro? Queremos voltar a repetir a dose nos lugares incríveis do Minho em que já estivemos e levar o melhor de nós a todos os outros lugares de uma das mais incríveis regiões do nosso país.


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