Revista Rua

Apreciar. Música

Moonshiners

"Estamos a preparar um concerto enérgico e contagiante"

Miguel Estima

Texto: Miguel Estima |

A 20 de janeiro, os Moonshiners sobem ao palco do Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima. Estivemos à conversa com a banda de Aveiro, antecipando um concerto que levará o Blues à vila mais antiga de Portugal.

© Denis Ryazanov

 

Numa viagem ao passado, contem-nos: como começou a banda Moonshiners e de onde vem o nome escolhido?

Conhecemo-nos através de um amigo em comum. Depois de umas quantas jam sessions, a amizade cimenta-se e com ela nascem as músicas. Ao fim de algumas músicas, surge o primeiro EP e tem sido assim até hoje. Como as músicas nascem numa garagem, bem escondidas do sol e a gostar da ‘ressaca’, Moonshiners pareceu-nos ideal.

 

Revêem-se na frase “o Blues é um misto de rebeldia, de marginalidade”? O que é para vocês o Blues?

Não. Para os afro-americanos, o Blues foi em tempos uma mensagem entre plantações vizinhas em forma de canção. Para nós, o Blues é uma das mais belas ferramentas para contar histórias – o Blues agarra-te quando começa, o que acontece depois já não conseguimos explicar.

 

Acham que o Blues é um estilo ainda pouco apreciado em Portugal?

Sim, talvez na forma tradicional. Mas o Blues está em demasiadas canções para ser ignorado. Muddy Waters cantava “Well you know the blues got pregnant and they named the baby Rock and Roll”.

 

No vosso primeiro EP, contam com a participação de Alexandre Mano e Miguel Leitão. Foi um disco gravado ao vivo num dos espaços mais emblemáticos de Aveiro, o Gretua. Como foi essa experiência de fazer uma gravação ao vivo e materializá-la em disco?         

Materializar em disco o que andávamos a tocar na estrada foi uma experiência muito natural e sincera. O João Veludo carregou no REC, nós seguimos em frente pouco atentos aos sinais de trânsito e cinco horas depois tínhamos o EP gravado. Foi a nossa primeira experiência em estúdio enquanto banda, onde a familiaridade do Gretua ajudou como cenário. Apresentámos este disco no mesmo sítio onde o gravámos, de porta aberta e casa cheia. Uma noite memorável.

 

Nesse primeiro disco encontram-se canções sobre whisky e cerveja, conversas entre Deus e o Diabo, réquiens de amor falhado, mas sobretudo é um espelho do que são vocês, da vossa experiência mundana. O que pretendiam mesmo transmitir?

Nada em particular e tudo em geral. Somente interpretar o mundo, os dissabores de cada um, as histórias de todos, verter palavras para fora para não “oxidar” por dentro. Foi um disco de auto-conhecimento, a criação do mundo Moonshiners. Os outros discos já têm pretensões intergaláticas, partem noutras direções.

Em 2015 lançaram o segundo registo de originais Good News For Girls Who Have No Sex Appeal. Sentiram-se mais maduros neste disco? Uma maturidade fruto da estrada percorrida desde o início da banda?

 

Sim, sem dúvida, corremos Portugal de Norte a Sul e tivemos a sorte de encontrar muita amabilidade, permitindo uma partilha intensa. A estrada cansa-te muito, mas traz com ela sabedoria e experiência, aquilo que precisas para continuares a reinventar-te… o caminho faz-se caminhando, certo?!

           

Em 2017 tocam pela primeira vez fora do país, primeiro no Eurosonic, na Holanda, depois em Veszprem, na Hungria, e por último em Espanha, numa mini tour. Como foi a experiência de sair do país? Principalmente de se apresentarem num evento como o Eurosonic?

Poder levar a nossa música além-fronteiras é muito especial. É como se fosses mostrar um filho ao mundo (ou o mundo ao filho). Poder receber o amor do público longe de casa é muito gratificante e fortalecedor. O Eurosonic foi um bom batismo, ficámos a saber que o nosso licor musical também embebeda por lá.

O que podemos esperar do concerto de Ponte de Lima e deste novo álbum Prohibition Edition?

Estamos a preparar um concerto enérgico e contagiante, um alinhamento essencialmente focado no Prohibition Edition, que também visita o nosso passado.
Vamo-nos fazer acompanhar de baixo (Bruno Barreto) e saxofone (Gabriel Neves). Trocando por miúdos, 90 minutos à Moonshiners. Prohibition Edition é a síntese da nossa convivência musical desde o início. Foi gravado ao longo de um ano e apresenta canções muito diferentes entre si, rítmica e melodicamente. Cada tema tem um B.I. próprio, por vezes várias nacionalidades.

 

Em termos futuros, onde se vêm chegar? O que pretendem?

Depois de subires o Kilimanjaro, vais querer tentar o Everest. Certinho!

 

 


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