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Nem a chuva demove a ‘sede’ de vencer

Afamada pelas inúmeras oportunidades profissionais e a simpatia do seu povo, a cidade de Dublin é também conhecida devido às condições meteorológicas pouco agradáveis. Desde há seis anos, esta é a nova casa de Ricardo ‘Giga’ Silva, um bracarense que não teve medo de arriscar, apostou e venceu, sem nunca desistir do amor.

Filipa Santos Sousa

Texto: Filipa Santos Sousa |

A capital da Irlanda concilia o contraste entre o modernismo e a tradição. Com uma história rica, mas um quanto atribulada, Dublin tem-se afirmado economicamente como um dos destinos de eleição de vários jovens emigrantes que procuram melhores condições, como é o caso de Ricardo ‘Giga’ Silva. Licenciado em Relações Internacionais e mestre em Marketing e Gestão Estratégica pela Universidade do Minho, o bracarense decidiu partir para tentar a sua sorte na Ryanair, primeira paragem de uma escalada profissional que não se ficou por aí: “A falta de emprego qualificado, o excesso de notícias pessimistas e a vontade de experienciar algo mais levaram-me a aventurar fora. Seis anos depois, não me arrependo nem um pouco. Neste momento, estou a trabalhar para a Google como consultor de soluções para produtos”.

A adaptação não foi difícil e hoje, então, sente-se como ‘peixe dentro de água’. Apesar do ritmo intenso e das exigências diárias da profissão, o minhoto está a desfrutar da sua estadia além-fronteiras, ao destacar a hospitalidade dos locais, a gastronomia variada e a animação proporcionada pelos típicos pubs. “Há cada vez mais portugueses por cá e, obviamente, alguns fazem parte do meu ciclo de amigos, facto que ajuda a matar as saudades de Portugal. No entanto, procuro não me limitar a travar amizades por causa de nacionalidades, ou não estivesse numa cidade onde 40 por cento da população é estrangeira”, salienta.

Em bom português, ‘nem tudo são rosas’, pelo que inicialmente o ambiente económico irlandês causou alguns constrangimentos. “Desde os preços dos supermercados que eram adequados a um povo com maior poder de compra, aos preços galopantes das rendas que subiam todos os meses”, comenta Ricardo. Porém, a partir do momento em que se consolidou, o problema foi outro: partir ou ficar? “Estar longe da família nunca é fácil e do amor também não”, confessa. Mas a sua cara-metade poupou-lhe essa penosa decisão e mudou-se para Dublin, onde agora partilham diariamente os sabores e dissabores da vida de emigrante.

A par dos entes queridos, de Portugal guarda saudades de muitas coisas, mas, sobretudo, da comida. Assado no forno, arroz de tomate com sardinhas e rojões à moda do Minho são algumas das ‘tentações’ que recorda com mais lamento. Mesmo assim, está decidido a ficar na cidade que o acolheu, desde o primeiro instante, com precipitação.

Mas nem só de chuva, amor e simpatia para com o próximo se conta esta experiência. Com 28 anos, Ricardo Silva aproveita a oportunidade para sugerir uns quantos pontos turísticos aos seus conterrâneos: “Começo por recomendar uma visita ao Phoenix Park e ao Stephen’s Green, os mais bonitos espaços verdes para se passear. Para os amantes de História, interessa visitar a prisão de Kilmainham e o Museu Nacional de História da Irlanda. Para os amantes da cerveja, uma visita à Guiness Storehouse é indispensável. Para acabar, uma paragem em cidades piscatórias como Howth e Bray”.


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