Revista Rua

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No mundo do Jazz: Quarteto MAP

Miguel Estima

Texto: Miguel Estima |

O quarteto MAP vem a Valença do Minho apresentar o seu mais recente disco Guerra e Paz, no âmbito do ciclo de jazz que o município de Valença, juntamente com a Associação Porta-Jazz e a Quinta do Caminho estão a promover desde início de janeiro. A RUA esteve à conversa com o Paulo Gomes, mentor dos MAP, numa antevisão do concerto que irá decorrer na Quinta do Caminho no sábado, dia 17 de fevereiro, pelas 21h30.  

Em primeiro lugar, gostaríamos de conhecer os MAP? Como começou a ideia de criar um quarteto para explorar temas originais?

Na altura, em 2012, tinha um trio (Cool Jazz Trio) com o Acácio Salero e o Miguel Ângelo. Dedicávamo-nos ao repertório de jazz clássico, inspirados no trio do Oscar Peterson. Em alguns ensaios começámos a tocar composições minhas e surgiu a ideia de fazer um novo projeto. O Miguel Moreira já era um músico com quem tencionava um dia trabalhar. Convidei-o. Na semana seguinte, nasciam os MAP.

 

Os três discos editados pela Carimbo (Porta Jazz) têm nomes muito peculiares, começando pelo primeiro, de 2014, The Zombie Wolf Playin’ The Blues On A Monday Morning. Isto é como dar ao disco uma dimensão metafísica, derivando por um estado concreto. Era essa a ideia inicial? Porquê estas abordagens no título?

Muitas vezes, essas coisas nascem mais por acaso do que por uma grande reflexão conceptual. Foi o caso. É um disco que não tem um conceito exatamente definido, ao contrário dos dois discos seguintes. O título no fundo é apenas uma brincadeira com os nomes dos nossos temas que integram o CD (“The Zombie Wolf”; “Monday Mornings”; “Cocas’ Blues”; “Nina’s Blues”; “No Morning”).

 

Em 2015 foi o lançamento de Circo Voador. Quem o escuta não tem dúvidas na inspiração circense, pouco habitual no jazz. Essa quebra impõe-se muitas vezes num ritmo mais concetual, para uma viagem mais lúcida e acessível linguisticamente?

Esse trabalho já é mais conceptual. Propus ao grupo que nos inspirássemos nas artes do Circo para escrever um novo disco. É um mundo cheio de cor, movimento e com um imaginário infinito. Foi inspirador e os temas acho que o refletem bem, à nossa maneira, claro.

 

O terceiro disco, Guerra e Paz, surge em 2017, um ano em que aparentemente a paz existe, mas veste-se com uma capa subtil no meio de tanta guerra que existe espalhada por esse mundo fora. Musicalmente, é um disco que marca cinco anos do coletivo. A escolha do título do disco é um reflexo de um trabalho concetual de um “momento” concreto? No fundo, como é materializar a obra artística com uma etiqueta? Explique-nos um pouco este disco.

Este é outro tema que me atrai bastante. A história da Humanidade está marcada pelos grandes conflitos e pelas suas resoluções. Esses momentos de Guerra e de Paz que fazem a nossa História, são também muito inspiradores. De uma forma bem diferente do Circo, este tema dá-nos também sensações e estados de espírito bem marcados. E essas situações são normalmente inspiradoras e estimulantes para a criação artística. Mais uma vez, foi uma proposta minha aos meus companheiros de banda, e partimos para mais uma aventura de Guerra e Paz.

 

Em Valença, a vossa apresentação vai ser num espaço informal. O que pensa de atuar nestes ambientes mais intimistas? E o que podemos esperar dos MAP nesse concerto?

Acho que no equilíbrio entre palcos grandes e ambientes mais intimistas é que está o grande prazer de tocar em público. Em qualquer destas situações, procuramos sempre a melhor concentração e partilha com quem nos está a ouvir. Muito público focado na nossa música, será sem dúvida o melhor que nos pode acontecer. 


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