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Num corpo Só

Mariana Rocha está na Rua.

Nuno Sampaio

Texto: Nuno Sampaio |

Existe uma pluralidade erótica adjetivada por um corpo, quase sempre o teu. É uma forma de representação pessoal ou uma simples afirmação de arte-final onde o teu corpo se eleva?

O corpo é sempre meu. Mesmo que não o seja. Se for corpo de outrem aproprio-me dele como se meu fosse. Isto acontece porque uma sensação minha está lá ou porque vejo uma característica minha nele contido. O meu trabalho é autobiográfico (por vezes ficcional) e também auto representativo ou seja o uso do corpo seja ele vestido ou não, o uso de umas calças, de uma pulseira de um mar é algo que está sempre ligado a um pensamento ou sentimento híper pessoal.

Há sangue, nódoas negras, lágrimas e uma sujidade lírica - uma tensão constante. Por outro lado esconde-se uma subtil sensibilidade nas formas, na luz, no quotidiano. Este contraste revela-te?

Esse contraste está presente no meu dia-a-dia eminentemente. As nódoas negras, as lágrimas, a sujidade a tensão, que simbolizam e admitem fragilidade, foram fruto de um passado recente que vivi e que obviamente através dessas imagens foi construída uma narrativa seja ela contínua ou não, real ou fictícia que se revela em mim. Esse contraste revelou-se porque fotografo maioritariamente o quotidiano. 

 

 

108 // you always give me so many pearls ⚫

Uma foto publicada por mariana rocha (@mariana.procha) a

A tristeza é sustentável dentro do teu modelo de procura representativa?

A tristeza é insustentável. Mesmo que faça parte da vida. Não é de todo, o meu modelo de procura representativa.

 

Denota-se um constante estado de preenchimento do vazio, de espaços que parece que sobram no teu universo. Concordas?

Concordo. O vazio faz parte do meu estado de espírito portanto é natural que exista vazio e tentativa de preenchimento do mesmo nos meus registos fotográficos.

 

 

175 // you never did anything wrong, 2015 ~ today's a new beginning.

Uma foto publicada por mariana rocha (@mariana.procha) a

 

Consegues explicar a naturalidade sexual no panorama atual?

Eu vejo a sexualidade, a descoberta e procura dela, uma forma natural. No panorama atual, com a quantidade de redes sociais ou sites e com a liberdade e facilidade de introdução e procura de conteúdos é natural que se torne cada vez mais inato que a sexualidade seja aceite. De todas as formas.

 

310 // azul #02 ~

 

A linha que separa o erotismo da pornografia é frágil - o amor ou a futilidade diluída na contradição do corpo. Existe, para ti, uma causa que Apreciar 65 esteja expressamente ligada a estes dois conceitos?

Quando fotografo não procuro erotismo, mesmo que haja nudez. Embora ele exista em muitas das minhas fotografias. Muitas vezes sou confrontada com comentários sexistas ou sou associada à atividade pornográfica. É natural. Obviamente, ainda existe uma difícil leitura do que é por exemplo, a diferença entre o meu trabalho e uma simples fotografia de um corpo nu. As pessoas ainda não estão preparadas.

 

Dentro de um mundo teu por quem e onde gostarias de ser fotografada?

Não gostaria de ser fotografada em nenhum local em particular nem por ninguém em particular. 


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