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O “nosso” João

 

José Gonçalves Lopes

Texto: José Gonçalves Lopes |

 

João Baptista, autor de um dos quatro evangelhos. É ele que é celebrado, de 14 a 25 de junho, em Braga.

Intitulada a “maior festa do Minho”, é a celebração joanina mais antiga do país. Os festejos terão sido iniciados no século XII, aquando a construção da primitiva Igreja de São João do Souto. Ao longo do tempo, as celebrações foram normalmente evoluindo.

O São João chegou a ter duas festas, São João do Souto e São João da Ponte. A primeira tinha uma procissão, onde as conhecidas danças do Rei David e os Cânticos dos Pastores estavam inseridas. A segunda celebração continha uma feira no dia de São João e possuía um teor mais popular.

Só em 1893 é que é criada a primeira comissão de festas, que unifica os dois festejos, ajudando assim no seu crescimento.

As já referidas danças do Rei David são compostas por 13 elementos. É certamente a tradição mais antiga ligada às celebrações sanjoaninas, contudo, a sua origem é de difícil afirmação. É de salientar a notável continuidade na manutenção daquilo que seria o evento, na proteção das tradições, até hoje em dia.

Outra tradição a salientar é a do Carros dos Pastores, que terá o século XVIII como origem. Nesta composição teatral são referidas cenas bíblicas e o nascimento de São João Baptista.

As Festas do São João em Braga são atualmente um dos eventos mais importantes, não só da cidade, mas também da região, com mais de dez mil pessoas envolvidas e mais de 200 instituições associadas, atraindo milhares de visitantes. Para além do teor religioso associado, estas celebrações são uma montra daquilo que o Minho tem de melhor, as pessoas e as tradições, com o objetivo de trazer toda uma região para a cidade dos arcebispos.

Ir ao São João a Braga é ver pessoas juntas, independentemente da sua origem ou estatuto social, no mesmo espaço, em comunhão, com boa disposição, construindo todos os anos a noção que não é apenas uma festa, mas uma celebração à cidade, à região, carregada de história numa mão e de um martelo ou um alho-porro na outra.


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