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O Coração do Minho é de Ouro

 

José Gonçalves Lopes

Texto: José Gonçalves Lopes |

Do latim aurum, o ouro já é conhecido desde a antiguidade e é um dos primeiros metais trabalhados pelo homem. Conhecido na Suméria, no Egipto existem hieróglifos de 2600 a.C. que descrevem o metal.

A Filigrana, arte de trabalhar metais, é fundamentalmente uma técnica de ourivesaria, com particular atenção ao pormenor e a um trabalho minucioso.

A origem desta arte não está totalmente determinada, sabendo-se apenas que na China e Índia já havia essas práticas, tanto como na Grécia e em Roma. Os povos islâmicos incutiram grande vitalidade a esta forma de ourivesaria, com uma extrema maleabilidade e delicadeza de filamentos, que favoreceu esteticamente o traçado da linha.

Em Portugal, defendem que a origem remonta às civilizações pré-romanas. Esta teoria assenta na descoberta do século passado, no Castro de Lanhoso, de três torques de ouro pormenorizadamente trabalhados, datados do I milénio a.C. que podem ser visitados no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga.

O Norte de Portugal é tradicionalmente o local de eleição da Filigrana, com locais como Gondomar, Viana do Castelo e Póvoa de Lanhoso a chamar para si o título de Capital da Filigrana.

Viana do Castelo com as Festas de Nossa Senhora da Agonia, onde as mordomas minhotas carregam várias peças de Filigrana, divulgou muito esta arte, mas o trabalho de Gondomar e da Póvoa de Lanhoso não fica atrás, já que são estas duas localidades que mais produzem e mais ganham prémios a nível internacional.

Este trabalho feito por Gondomar e Póvoa de Lanhoso culminou há poucos dias com a assinatura da preparação da candidatura da Filigrana a Património da Humanidade.

Na Póvoa de Lanhoso, a Filigrana é trabalhada de uma forma mais artesanal, em duas freguesias, Travassos e Sobradelo da Goma. Aí podem visitar o Museu do Ouro e a Oficina do Ouro, respetivamente.

A arte da Filigrana é estreitamente ligada às famílias. Trabalham nesta profissão há muitos anos e, em muitos casos, é atribuído o nome de Elói, santo padroeiro dos ourives, aos filhos homens, para que estes continuem o mesmo ofício.

O Minho é de Ouro, cuidadosamente trabalhado por mestres, que minuciosamente criam peças, com um pormenor impressionante. 


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