Revista Rua

Apreciar. Instagram

O outono das cores

Patrícia Martins está na rua

Nuno Sampaio

Texto: Nuno Sampaio |

Ao entrarmos na tua página do instagram somos absorvidos por uma espécie de tempo outonal que nos acolhe, que nos abraça, um tempo que quase parece infinito. Para onde nos queres levar com as tuas fotografias?

O instagram é um local onde posso partilhar um pouco do meu mundo. É uma forma de contar histórias sem recorrer a palavras e que estas tenham primeiramente significado e transmitam emoções. Para mim, a fotografia é uma conexão de narrativa emocional que se tornou uma parte essencial de quem sou e a qual ainda se encontra em desenvolvimento. Prefiro captar momentos efémeros, nostálgicos, bem como os pequenos detalhes. Tento compor as imagens em pequenos conjuntos onde uma fotografia pode completar outra. Por outro lado, também gosto de usar fotografias singulares como um intervalo. Deste modo, a palete de cor vai-se harmonizando de acordo com as estações do ano, os locais por onde passo, o que vivencio, adequando-se à minha forma de estar. Pretendo levar os espectadores numa viagem emocional, evocar pormenores, pequenos instantes de coisas tão simples, mas que têm tanto significado na vida.

 

És uma portuguesa na Holanda. Um país diferente, com cheiros e cores diferentes. Nesta viagem de múltiplos sentidos existe alguma passagem que te transporte de um país para o outro? Levas o teu mundo contigo?

Não sei se existe uma transição por si só, mas talvez uma evolução. Vejo a fotografia como uma extensão de mim, onde posso explorar emoções entrelaçando-as muitas vezes por onde passo. Sinto que desenvolvo este processo criativo em novos locais, mas ao mesmo tempo colocando o meu ponto de vista, ou seja, a minha sensibilidade. Portanto, apesar de ser um processo em desenvolvimento, existirá sempre o meu mundo a fundir-se num outro e vice-versa. É algo que me permite conseguir novos ângulos, algo que não acreditava conseguir antes.

 

A tranquilidade é quase eufórica, palpável, em cada fotografia tua – é um equilíbrio memorável entre o que vemos e o que imaginamos. Este teu universo é a tua libertação diária?

É curioso porque dizem-me isso muitas vezes, o que significa que consigo transmitir o que sinto e tenciono. A verdade é que este é um dos processos criativos onde eu, uma introvertida, se pode libertar e criar este pequeno universo de conexões e emoções. Há outros trabalhos fotográficos que gosto de fazer e que se inserem noutras categorias, mas que não partilho presentemente, de cariz mais pessoal e onde a quietude se mantém, com poesia e por vezes melancolia.

 

Em que cidade gostarias de fotografar o Natal?

É difícil escolher uma cidade pois existem várias que gostaria de desfrutar nesta época festiva. A presença de neve seria um requisito!

Se, por um lado, gostaria de desfrutar de um ambiente mais calmo, numa cidade pequena e rodeada pela natureza, como por exemplo Rovaniemi, na Lapónia, onde a presença das renas, dos huskies e da aurora boreal dariam um ar mágico e inesquecível, existe um outro lado da fotografia que me apraz: o burburinho e a agitação da cidade, na qual seria interessante poder observar e capturar momentos de desconhecidos, ir um pouco mais além daquilo que usualmente faria. Nessa conjuntura, Nova Iorque seria a escolhida.

 


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