Revista Rua

Observar. Talento

O quarto sentido

Nuno Sampaio

Texto: Nuno Sampaio |

Perfil

A criação de um Quarteto de Cordas em Guimarães era uma ideia antiga de Emanuel Salvador, que visava preencher uma lacuna em Guimarães no que diz respeito à Música de Câmara. Juntamente com a esposa, a violetista Emilia Goch, que tem uma larga experiência na criação deste tipo de projetos (uma vez que dirige a Baltic Neopolis Orchestra, na Polónia), começaram a idealizar um projeto que os aproximasse de Portugal. No início apresentaram o projeto ao Vereador da Cultura de Guimarães, José Bastos e tiveram uma agradável surpresa: “um acolhimento fantástico e um parceiro indispensável à sua manutenção”.

Juntamente com Catarina Gonçalves e Álvaro Pereira, dois músicos que partilham a mesma paixão pela música de câmara, e um desejo de desenvolver uma atividade de qualidade regular em Portugal, criaram o QCG que teve o seu primeiro concerto em março de 2016.

O Quarteto de Cordas de Guimarães é uma inovadora aposta de residência artística, que visa desenvolver uma oferta constante na área da música de câmara, a partir de Guimarães. Este projeto cultural tem como base a realização de uma série de concertos regulares na cidade e no concelho, promovendo Guimarães como plataforma de criação própria que servirá de embaixador da cidade, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Os violinistas Emanuel Salvador e Álvaro Pereira, a polaca Emilia Goch e a violoncelista Catarina Gonçalves são os quatro músicos que formam o QCG.

Talento

Verão de 2016. Emanuel Salvador e a restante equipa tinham um concerto da segunda residência em junho na Igreja paroquial de Briteiros S. Salvador, uma das freguesias de Guimarães. O concerto coincidia com um jogo de Portugal no Euro 2016. “Jogávamos com a Áustria e como é normal nestas ocasiões o país para para ver o jogo. Nós também não fomos exceção, e depois de um curto ensaio de colocação na Igreja fomos para o café local para torcermos por Portugal”. O concerto estava marcado para as 21h30, mas o jogo só terminaria às 21h45, por isso estava bastante claro que se quisessem ter público só começando um pouco mais tarde. À hora marcada apenas  Emilia Goch estava preparada para tocar, mas à hora do fim do jogo tinham a Igreja cheia com um público ávido por ouvir um quarteto de cordas, provavelmente pela primeira vez, num programa que incluía obras de Mozart, Claudia Montero e Dvorak. “Nessa altura estávamos bastante longe de pensar que esse pequeno esforço fosse para tão boa causa, já que Portugal se tornaria o campeão Europeu!”


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