Revista Rua

Apreciar. Minhotos pelo Mundo

Os dias imprevisíveis de Jacarta

Multiculturalidade é sinónimo para o quotidiano de Jacarta. Com 30 anos, Humberto Van Dijk está, por isso, a viver uma experiência única na capital da Indonésia.

Filipa Santos Sousa

Texto: Filipa Santos Sousa |

A Indonésia é um destino de sonho para muitos turistas, mas é também a casa de muitos emigrantes de todo o mundo. Jacarta surpreende pela mistura de idiomas, gentes e costumes. Entre milhões de pessoas que habitam na capital, é possível não experimentar a solidão, mesmo quando se está longe da terra natal. “É muito fácil fazer amigos, existem imensos restaurantes, bares e zonas de lazer onde acabamos por encontrar e conviver. Jacarta é uma cidade com uma dinâmica incrível, nunca estamos sozinhos e os dias são sempre diferentes”, conta Humberto Van Dijk.

Há mais de cinco anos na Indonésia, o jovem com raízes bracarenses não se mostra arrependido de ter deixado Portugal e rumado numa aventura para o estrangeiro. Antes da experiência de uma vida em Jacarta, Humberto trabalhava na IBM, em Braga, e vivia confortavelmente com os pais. No entanto, faltava qualquer coisa, algo maior que o próprio conforto: “Queria ter uma experiência internacional com mais oportunidades, que permitisse conhecer o mundo, então resolvi inscrever-me no Inov Contacto”. Sem hesitar, e depois de saber que tinha sido selecionado, Humberto despediu-se e partiu para o seu novo destino: a longínqua Indonésia.

Com a companhia doutro jovem, que por obra do acaso era seu vizinho na capital minhota, Van Djik teve um processo de adaptação fácil. Atualmente está a trabalhar numa empresa alemã que produz componentes para calçado desportivo, onde convive diariamente com outros portugueses. Mas, nem tudo são rosas, como se costuma dizer na gíria nacional. “A maior dificuldade é o trânsito. Os dias são sempre imprevisíveis, passo horas no carro e se não planear tudo da melhor forma, acabo por não conseguir fazer tudo aquilo que quero durante o dia”, lamenta.

Movido por uma vontade imensa de viajar e sentir o pulsar doutras latitudes, este minhoto pelo mundo aproveitou para conhecer algumas das mais famosas ilhas que compõem o belo e imenso arquipélago indonésio, como Bali, Lombok, Gili, Sumatra e Java. Como seria de esperar não se ficou por aqui: “Viajei também pela Ásia… Singapura, Malásia, China, Vietname, Hong Kong, Camboja e Tailândia”.

Com muitas histórias e viagens para partilhar, Humberto Van Dijk viveu também momentos caricatos, típicos da inevitável diferença cultural. “Lembro-me de ter tomado banho num tanque que supostamente seria só para recolher água com um pote”, graceja. E o balanço? “Super positivo! A forma como enfrentamos as dificuldades quando estamos fora torna-nos mais aptos a viver de uma maneira enriquecedora. Passei por momentos que, talvez, não passaria se vivesse no meu país. Tudo isto fez com que crescesse”, declara. De peito cheio de orgulho, e com um mar de saudades a separá-lo daqueles que mais ama, o jovem confessa: “Voltar para Portugal? Talvez, um dia. Voltar para a Europa, em breve!”


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