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Portugal “chau chau”

André Veloso, 23 anos, partiu para a China.

Rafaela Pinto

Texto: Rafaela Pinto |

André Veloso, 23 anos, partiu para a China com o objetivo de ensinar português numa Universidade em ShiJiaZhuang, uma cidade que fica a cerca de 300 km a Oeste de Pequim.

Em setembro de 2013, André Veloso já tinha posto os pés em solo Asiático durante o seu Mestrado em Estudos Interculturais Português/Chinês, depois de ter tirado a licenciatura em Línguas e Culturas Orientais, na Universidade do Minho.

Quando surgiu a oportunidade de estudar numa cidade chinesa (Tianjin) durante um ano, desde logo que André começou a gostar de viver na China. Em 2015, um amigo e colega de Universidade recebeu a proposta de ir trabalhar para uma Universidade e foi informado que havia outra vaga para um segundo professor. André aproveitou a oportunidade e é agora professor de português como língua estrangeira na Universidade de Idiomas Estrangeiros de Hebei.

O jovem professor não pensou duas vezes, em Portugal não tinha opções de escolha. “Tenho me mantido informado sobre potenciais oportunidades, mas não conheço nenhuma que seja comparativamente melhor ao meu atual emprego. Acho que encontrei um trabalho desafiante que me oferece ao mesmo tempo a estabilidade de um horário fixo”.

Apesar de viajar para a China já não ser uma novidade, André confessa que “continua a ser um dia extremamente cansativo. Entre as 10/11 horas de avião para chegar a Pequim e a viagem de comboio que tenho de fazer até à minha cidade, são sempre cerca de 20 horas passadas em trânsito de casa até ao meu destino final”.

A cidade onde mora, ShiJiaZhuang, é capital de província e tem uma população de cerca de 10 milhões de pessoas. André vive numa residência de professores fornecida pela escola que fica dentro da Universidade, no entanto, admite que as condições habitacionais chinesas não ficam muito atrás daquelas que se encontram numa importante cidade europeia.

Para André Veloso surpreendeu-se com o facto de o povo chinês ser completamente diferente do que estava à espera. “Através dos meios de comunicação sempre pensei que o povo chinês fosse frio, distante e que a toda a China parecia um país atrasado a nível de desenvolvimento. Aquilo que encontrei foi um povo carinhoso que gosta de falar alto e conviver.”

Desde que começou a trabalhar, o professor Universitário, sente que o sistema burocrático chinês não está bem-adaptado para estrangeiros. “Já tive problemas devido simplesmente a não ter um Bilhete de Identidade chinês quando tentei abrir uma conta de banco”. Na China as restrições que mais interferem na vida de André são o facto de uma grande parte dos sites populares que se usa em Portugal estarem, por norma, bloqueados, como o Google, Youtube e a maioria das redes sociais.

O lado mais negativo de viver na China é talvez a poluição do ambiente. “Embora os efeitos da poluição não se tenham refletido na minha saúde até hoje, um outro efeito negativo é que o smog (nevoeiro contaminado) pinta a cidade de cinzento, o que acaba por afetar o humor e níveis de energia das pessoas”.

Embora já estude mandarim há quase seis anos, André Veloso continua a enfrentar problemas na comunicação. Apesar de ser a língua oficial da China, há muitos chineses que têm certos sotaques de várias regiões, tornando-se muito difícil de perceber. “O outro problema é simplesmente a dificuldade da língua e o seu sistema de escrita, o que me leva a, por vezes, ter de recorrer ao dicionário durante uma conversa”.

A gastronomia chinesa é conhecida por todo o mundo e é incrível a variedade de pratos que se pode escolher. “É fácil encontrar pratos bons, até para aqueles que se consideram mais esquisitos no que toca à comida. Os meus pratos preferidos incluem qualquer coisa que envolva berinjela, eu acho que os chineses fazem magia com este legume”, afirma. Incrivelmente, é difícil encontrar pão como o que se tem em Portugal na China. “Todo aquele que está à venda é adocicado. Pode não parecer muito importante, mas é algo que sinto muito a falta”.

A ideia de regressar a Portugal “está sempre em cima da mesa”. Emigrar durante um semestre universitário ou um ano é algo que André recomendaria a quase toda a gente. “Somos expostos a coisas que nunca teríamos conhecido de outra maneira. Para mim tem sido uma experiência incrível e enriquecedora, sinto que conheço um pouco melhor o mundo e a mim próprio, tudo aquilo que vi, ouvi e senti ajudou-me a crescer e a apreciar melhor aquilo que me rodeia tanto na China como em Portugal.

 

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