Revista Rua

Apreciar. Minhotos pelo Mundo

Rumo a um destino ‘caliente’!

Rafael Araújo, 25 anos - México

Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

Com 25 anos, Rafael Araújo é natural de Monção, mas há meses que o sotaque minhoto se perde entre as expressões típicas do espanhol mexicano. 

Formado em Bioquímica, com um Mestrado em Bioengenharia e atualmente a tirar o Doutoramento em Ciência e Tecnologia de Alimentos, em Saltillo, no estado mexicano de Coahuila, este minhoto à descoberta da capital da tequila diz-se encantado com tudo o que encontrou do outro lado do Atlântico. “Cheguei a Saltillo em maio de 2015 e as primeiras impressões foram muito boas, apesar de ter chegado um pouco assustado. Cheguei de madrugada e senti aquela sensação de incerteza comum a quando mudas de lugar e, principalmente, de país”, explica. No entanto, a maneira ‘caliente’ da sociedade mexicana conquistou-o rapidamente. “Encanta-me todo o romanticismo que se vive no México. Nos aniversários, no dia dos namorados, no dia da mãe vê-se toda a gente com flores, peluches, balões, bolos... Há uma cultura e um respeito diferente do português, algo que a sociedade moderna tem perdido”.

Sem nenhum português por perto, Rafael afirma que a língua foi o principal entrave de adaptação. “Tive um pouco de dificuldade para que as pessoas me compreendessem, pois não falava bem o espanhol, mas entendia-o perfeitamente”, diz. Apesar da fama problemática do país, Rafael afirma que vê o México como um país com muito potencial social, industrial e até a nível de investigação, enaltecendo a maneira acolhedora como as pessoas recebem os estrangeiros. “Sei que o México tem uma má imagem devido aos problemas relacionados com o mundo da droga, mas as pessoas aqui são muito acolhedoras. Já tive oportunidade de visitar diferentes famílias e, sem me conhecerem, convidaram-me para comer e conversar. Esse ambiente é fantástico!”.

Apaixonado pela gastronomia mexicana, mas guardando saudades dos sabores portugueses, principalmente dos fumados, o jovem de Monção assinala San Luis Potosí, Real de Catorce, Guadalajara, Monterrey, Cancún ou as ruínas maias de Tulum como pontos turísticos inesquecíveis. “Depois, o México tem climas desérticos e tropicais, com muitas praias, florestas, parques naturais, grutas, ruínas Aztecas... Ah, e também já cruzei a fronteira para ir ao Texas, a Austin e San Antonio”, enumera Rafael.

Já com algumas histórias na bagagem, inclusive aquela em que o seu ‘aliento alcohólico’ após umas cervejas durante um dia de passeio a Guanajuato o impediu de entrar no autocarro de regresso a Saltillo, fazendo-o andar desvairado entre ligações a várias cidades até finalmente chegar a casa, Rafael diz-se feliz com a experiência mexicana e o regresso a Portugal dependerá das oportunidades que surgirem após concluir a sua formação. “Quero estar onde for mais feliz”, conclui. 


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