Revista Rua

Apreciar. Minhotos pelo Mundo

Sorrisos do tamanho do mundo em Cabo Verde

Filipa Santos Sousa

Texto: Filipa Santos Sousa |

Com um coração repleto de amor e uma mão cheia de boa vontade, quatro portugueses embarcaram numa missão de voluntariado. O destino? Cabo Verde.

Dizem que sorrir é o melhor remédio para a dor. Mas sorrir por um mundo melhor constitui uma cura ainda maior. Em São Vicente, a segunda maior ilha cabo-verdiana, as praias e a famosa cachupa ocupam o imaginário dos muitos turistas. No entanto, na terra natal da ‘diva dos pés descalços’ – a eterna Cesária Évora –, não se canta apenas a sodade, mas também a necessidade de resposta a algumas carências de saúde. Com as lacunas no acesso a cuidados básicos sanitários em mente, quatro portugueses partiram, em maio último, para uma das maiores aventuras das suas vidas.

“Cada missão é um novo desafio e sinto sempre que trago comigo mais do que aquilo que deixo”, confidencia Abel d’Eça Rodrigues, um de três médicos dentistas que integraram a missão da Mundo a Sorrir, em Cabo Verde. Com sede no Porto, esta organização não-governamental (ONG) sem fins lucrativos, tem levado a cabo diversas ações de voluntariado em todo o território nacional, assim como em países lusófonos. Alguns dos principais objetivos desta ONG assentam na promoção de estilos de vida saudáveis, saúde oral e ajuda no desenvolvimento das comunidades mais vulneráveis.

Cabo Verde é um país com elevadas assimetrias, por isso qualquer auxílio é bem-vindo. “É uma realidade muito diferente da nossa, embora tenha noção que existem outras bem piores. Fiquei muito tocado e todas aquelas crianças farão sempre parte de mim”, relata João Brás, da área de Comunicação e Multimédia. De facto, os mais novos foram mesmo o público-alvo desta missão que, entre outros aspetos, visou a instrução de cuidados básicos de higiene oral, bem como a realização de rastreios orais. Foram visitadas 14 escolas por toda a ilha de São Vicente, tendo sido reconhecidas 400 crianças a precisarem de tratamentos médico-dentários com maior urgência, entre as quais 340 estavam identificadas como provenientes de famílias mais necessitadas. No total, cerca de 280 menores compareceram às consultas e realizaram-se 299 tratamentos. Ora, poder-se-á dizer que a missão correu positivamente. Mas porquê deixar tudo e rumar a um país que não o nosso?  “A possibilidade da realização de um programa de voluntariado internacional veio num desejo de mudar a minha vida, de fazer a diferença. Este projeto ofereceu-me paz e um sentimento de profunda felicidade”, esclarece Ana Luísa Miranda, médica dentista.

Nesta aventura em solo africano, o amor é a principal força motriz. Longe de casa, a equipa de voluntariado da Mundo a Sorrir encontrou algo indescritível em palavras. “Receber todos os sorrisos e abraços de gratidão pelo nosso trabalho, por reconhecerem que o fazemos desprovido de interesses e com o maior carinho. Faz-nos repensar como encaramos o dia a dia e como lidamos com os nossos próprios problemas”, assegura Raquel Almeida Santos, também médica dentista. Numa derradeira demanda de afeto pelo próximo, tanto lá como cá, o mote surge em uníssono: construir sorrisos do tamanho do mundo!


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