Revista Rua

Apreciar. Cultura

Talento na ponta dos pés

João Pedro Freitas e Carolina Costa

Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

Foi o mítico bailado O Lago dos Cisnes que abriu as portas a um sonho. Entre piruetas e saltos criteriosamente bem programados, o brilho no olhar de Carolina Costa e João Pedro Freitas intensificou-se à medida que o bailado se desenrolava. Os bailarinos, os movimentos graciosos, as histórias contadas em cada gesto... “Era tudo tão bonito!”, relembra Carolina. Tinham, na altura, oito anos e o esplendor do admirável mundo da dança apresentou-se como uma estrela guia, conduzindo-os à escola de dança Ent’Artes, em Braga. Hoje, com toda a elegância, Carolina e João Pedro esboçam os sorrisos de quem está à conquista do mundo, um passo de cada vez.

Com a simplicidade de quem é criança, preparando-se para dançar na rua sem qualquer complicação, Carolina Costa e João Pedro Freitas encontraram-se connosco pouco tempo depois de regressarem de Paris, após participarem no concurso Youth America Grand Prix, na categoria Pas de Deux, e conquistarem o terceiro lugar. Ainda, em termos individuais, João Pedro arrecadou o primeiro lugar na categoria de contemporâneo e um lugar no Top 6 de clássico, enquanto que Carolina entrou no Top 12 de contemporâneo, num universo de mais de 100 bailarinos. Já não são uns novatos nestas andanças de concursos e galardões, embora a tenra idade de João Pedro (12) e Carolina (11) pudesse antever alguma inexperiência: não é caso. Com mãos cheias de títulos e muito talento nos pés, os alunos da escola Ent’Artes dançaram no centro da cidade de Braga, colocando em evidência o mérito de tanto treino – seis horas por dia, exceto ao domingo, com uma agenda preenchida por aulas de ballet clássico, contemporâneo, jazz ou pilates. Nisto, a pergunta que se impôs foi: “não se cansam?”. A resposta estava na ponta da língua. “Eu costumo pensar que quem corre por gosto não cansa e, então, eu não me canso muito”, diz-nos João Pedro, deixando Carolina acrescentar que “as crianças nunca se cansam!”

Orgulhosos das conquistas que já alcançaram, referindo que a exigência é algo intrínseco para realizarem o sonho de serem “bailarinos para a vida toda”, João Pedro e Carolina revelam-nos uma ligação amistosa, unidos numa boa disposição que torna o ato de dançar num simples momento de partilha de um amor em comum – e desengane-se caso pense que o que eles fazem é simples. São movimentos bem estruturados, que nos cativam a atenção bem antes de serem executados. Porquê? Pelo profissionalismo com que antecipam cada pormenor e nos apontam depois, na máquina fotográfica, o pezinho fora do lugar... e prontamente voltam ao início, com a energia de quem quer que tudo esteja perfeito.

Já na despedida, voltámos à lista sonhos. Carolina, num jeitinho tímido de expressar a sua admiração, garantiu-nos: “Eu quero ser como a Natalia Osipova, uma bailarina russa do Bolshoi Ballet”. Quanto a João Pedro, os nomes dos bailarinos pouco importam quando a dança grita mais alto. “Acima de tudo, gosto muito de os ver dançar”. Quanto a nós, rendidos aos sonhos que, pela determinação do olhar de criança, aguardam apenas que o tempo os desenvolva, ficámos a vê-los dançar. Mais um salto, uma pirueta, um plié... 


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