Revista Rua

Apreciar. Música

Três Tristes Tigres

"Estamos muito contentes com o nosso regresso"

Miguel Estima

Texto: Miguel Estima |

No dia 1 de dezembro, o Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, recebe os Três Tristes Tigres, numa fase de regresso da banda aos palcos após 13 anos de pausa. O concerto está agendado para as 21h30 e tem um custo de entrada de três euros. A RUA esteve à conversa com o guitarrista Alexandre Soares, de modo a percebermos melhor este regresso da banda icónica dos anos 90.

 

O vosso último concerto com o projeto de Três Tristes Tigres foi em 2004, no Serralves em Festa. Como é regressar aos palcos após 13 anos de pausa?

Foi uma boa surpresa para nós. Estamos muito contentes com o nosso regresso. Juntamo-nos com a ideia, não de fazer um regresso ao passado, mas de reviver estas músicas da forma que somos hoje. Preocupamo-nos em trazer as músicas para os dias de hoje e, as músicas que achávamos que não estavam presentes na nossa forma de tocar, retirá-las.

 

São hoje Três Tristes Tigres mais maduros? Estes Tigres rugem de forma diferente hoje? Como descreveriam o projeto atualmente?

Somos evidentemente mais maduros pela questão da idade. Mantemos uma coisa que tínhamos na altura: a tentativa de fazer qualquer coisa que ainda não ouvimos em nós próprios. Explorar ao máximo o que podemos fazer das coisas, muitas vezes em canções que são bastante simples e tentar dar o que somos no momento em estamos a viver aquilo. Estas músicas agora fazem parte do nosso presente porque as alterámos. Somos os mesmos músicos, mas realmente vamo-nos alterando com o tempo.

 

Sentem que o Miguel Guedes foi um padrinho do regresso da banda?

Acabou por ser, não sei se ele queria (risos). A ideia de ele fazer isto com algumas bandas - um regresso a ver o que é que acontecia -, acabou por, no nosso caso, levar a que fizéssemos mais concertos. Eu estou a trabalhar em novos temas e no início do ano já terei qualquer coisa dos Tigres. Temos um elemento novo e acho que o grupo está fresco e com vontade de tocar! Foi ele que despoletou isto.

 

Todo o vosso trajeto é pautado por uma grande consistência nas letras dos temas. Como é a relação entre o uso da palavra e a melodia?

Os textos sempre foram muito importantes. Muitas vezes, quando estamos a trabalhar, tenho os textos expostos à minha volta e vou lendo antes de começar a trabalhar.

 

Em 1997, em pleno auge do projeto, tocam em Paredes de Coura num ano emblemático por ter sido o primeiro ano com bandas internacionais. Como recordam essa experiência? Como é tocar num grande evento?

Gostei muito deste concerto! Gosto muito de Paredes de Coura! Vou lá como público e gosto muito do sítio, por isso, quando fui tocar lá, foi uma excelente experiência e tenho boa memória disso. Aquele sítio tem alguma coisa de especial. Quem organiza o festival Paredes de Coura tem uma construção nas escolhas que faz, dos grupos que leva, por isso quando me vi lá no meio também fiquei contente.

 

Consideram-se uma banda dos anos 90? Como é hoje tocarem para públicos mais novos?

Não. Fomos uma banda que trabalhou nos anos 90. Não coloco as coisas no tempo, mas sim na forma como abordas as coisas.

 

Ainda sentem o êxtase do público quando tocam o tema “O Mundo a Meus Pés”?

Quando tocamos nos anos 90, tocamos essa música ao vivo uma vez. Não tínhamos grande relação com o tema ao vivo. O grupo estava a construir-se de outra maneira. Neste momento tocamos uma versão meia free style para o final. Agora até temos uma relação mais engraçada do que tínhamos na altura.

Temos um público que acho que gosta das coisas que fazemos. Um público que sabe que improvisamos bastante, alteramos as músicas - até de espetáculo para espetáculo -, vamos sempre experimentando coisas novas e isso é que é a matriz do grupo, não apenas nesta música, mas em todas.

Mesmo com os anos de pausa dos Três Tristes Tigres, a Ana e o Alexandre continuaram o seu percurso na música com o projeto Osso Vaidoso. Querem destacar-nos a importância deste projeto?

Neste momento, os Osso Vaidoso, para além de mim e da Ana, conta com mais dois elementos: o João Pedro Coimbra ao vivo nos sintetizadores e percussão e o Pedro Oliveira, dos Peixe Avião, na percussão e alguma eletrónica. Este projeto começou por ser uma coisa, e ainda é em parte, bastante minimal, de guitarra e voz – a base do trabalho. Os textos que a Ana percorre e escolhe são sempre de excelente qualidade e a abordagem dos textos para a minha composição é muito forte! Talvez aqui seja o projeto onde o texto assume um papel mais forte. Neste momento, acho que o som do grupo devia alargar. Ainda não o fizemos em CD, talvez no próximo. Sonicamente, estou a chegar a coisas que não fazia, como eletrónica, e esse som vai parecer no próximo Osso Vaidoso e provavelmente nos próximos Tigres.  

 

Depois do concerto no Rivoli, tocaram no Mimo e no gnration. Seguem agora rumo a Ponte de Lima. O que podemos aguardar deste concerto?

Temos a ideia de fazer sempre qualquer coisa de novo num concerto e os nossos ensaios são feitos nesse sentido, de nos organizarmos e estarmos estruturados suficientemente para podermos ser livres. Para quando nos apetecer alterarmos as músicas! O que vão ver ali será sempre um bocado diferente dos outros concertos. Vamos levar também um vídeo realizado pela Inês Gregório. Como convidado temos o Miguel Ferreira que é o teclista dos Clã, que vai substituir o Kiko porque não lhe é possível tocar connosco nesse dia. É um músico que eu gosto há muitos anos e ainda não tinha tido oportunidade de tocar com ele.

 

Há mais surpresas a caminho? Algum disco comemorativo dos 25 anos?

Espero que sim! Se tudo correr bem, para o ano haverá qualquer coisa. É para isso que estou a trabalhar. 


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