Revista Rua

Viver. Decantar

Um brinde às nossas origens!

Rafael de Oliveira

Texto: Rafael de Oliveira |

No sábado chuvoso de 18 de fevereiro, o ambiente acolhedor do Mercado da Saudade abria-se como um refúgio tranquilo na cidade de Braga. Em torno da mesa, sentaram-se Martinha Noversa, da Casa Gil, Adérito Fernandes, da Alma Braguesa e Francisco Carvalho, o consultor que, como ninguém, sabe transformar uma ideia de negócio num caso de sucesso. O anfitrião era Rafael de Oliveira, rosto do Mercado da Saudade e responsável pela escolha dos vinhos que ali se iriam provar. 

Para a primeira prova de vinhos dinamizada pelo Mercado da Saudade e pela Revista Rua, escolhi três espumantes com o selo da Adega Ponte da Barca. Dois deles são monocasta: o espumante de vinho verde 100% Loureiro e o espumante de vinho verde 100% Vinhão, ainda sem concorrência a nível nacional. O outro é um espumante vinho verde Estreia Meio Seco, o primeiro que será provado por ser um espumante que pode ser bebido a qualquer hora, perfeito para uma receção a convidados. Antes de começarmos, algumas indicações: ao contrário dos outros vinhos, os espumantes não devem ser mexidos para serem provados; o flute de espumante deve ser sempre agarrado pelo pé, de modo a não aquecer a bebida e a não marcar o copo com os dedos, permitindo observar a cor e o comportamento do vinho sem nenhum ruído visual; e aquilo que os amantes de espumante mais gostam de apreciar é o modo como a bolha rebenta.

                  O espumante Meio Seco que sirvo em primeiro lugar é o ideal para acompanhar umas entradas leves. É um espumante bastante aromático, que quase nem se sente na boca porque a bolha não dispara na totalidade, mas é persistente. É a bebida indicada para o convívio. É uma boa forma de iniciação. Este é um espumante que mais vendemos no Mercado da Saudade, porque é muito fácil de beber e agrada a qualquer tipo de pessoa.

                  O espumante Loureiro, que é uma casta tipicamente verde, é um espumante mais limpo até na cor. Já é um espumante para quem exige um bocadinho mais. Uma bebida que acompanha uma carne branca ou um peixe ou marisco. É um espumante mais seco e, por isso, nota-se mais a bolha, que é mais forte, mas mais fina que a anterior. É um espumante que toca mais a alma, notando-se o sabor do loureiro.

                  Por último, o Vinhão, um monocasta que ou se gosta ou se detesta. Este espumante é um tributo à nossa região, é mesmo aquela casta típica que nos relembra o cheiro da adega. Tem um aroma intenso e, ao provar, está lá todo o sabor vinhão. É um espumante fantástico para acompanhar com um pica no chão, um cozido à portuguesa, um sarrabulho ou até lampreia.

                  Nesta tarde de prova de vinhos o surpreendente Vinhão foi o rei. A nostalgia que acarreta, reforçada pelo cheiro e sabor inconfundível, tem uma influência, determinante, na nossa opinião. E assim termino: com um brinde à tradição e aos aromas da nossa memória!

 


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