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Um ex-libris com mil anos de história

O castelo de Lanhoso

José Gonçalves Lopes

Texto: José Gonçalves Lopes |

No topo do maior rochedo granítico da Península Ibérica, a 385 metros de altitude, ergue-se o Castelo de Lanhoso, baluarte medieval, fulcral para a construção da nacionalidade. 

“Até onde a vista alcança”, é a expressão que melhor define aquilo que podemos ver do topo da Torre de Menagem do Castelo de Lanhoso. 

No topo do maior rochedo granítico da Península Ibérica, a 385 metros de altitude, ergue-se o Castelo de Lanhoso, baluarte medieval, fulcral para a construção da nacionalidade. 

Com mais de 1000 anos de história, o Castelo de Lanhoso, ex-libris do concelho e Monumento Nacional desde 1910, é um local defensor da nossa memória.  Este reduto foi a residência preferencial de D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, e foi aqui que ela assinou o Tratado de Lanhoso, com a sua meia-irmã, D. Urraca, quando esta invadiu o Condado Portucalense, em 1121. 

     É também o local que, em 1128, segundo a lenda, D. Afonso Henriques, após a vitória na Batalha de S. Mamede contra a sua mãe, prendeu a mesma nos subterrâneos do Castelo. 

    No século XIII, o Castelo sofreu um incêndio, provocado pelo alcaide D. Rodrigo Gonçalves Pereira, que após encontrar a esposa num ato de infidelidade, mandou prender os dois amantes no interior, juntamente com as pessoas que se encontravam nas imediações, por serem testemunhas da traição.

    Já era Rei de Portugal D. Dinis quando, no final do século XIII, este manda erguer uma nova estrutura: a atual torre do Castelo, com cerca de 11 metros de altura.

    Em 1680, um mercador povoense, André da Silva Machado, mandou construir o Santuário de Nossa Senhora do Pilar, em que muitos defendem a utilização da pedra da muralha e do Castelo para essa construção, e do conjunto de calvários pela encosta abaixo. A construção do Santuário tem como inspiração uma capela que o mercador viu na Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia, de homenagem à mesma senhora.

    No sopé do monte, é possível visitar também o Castro de Lanhoso, espaço que remonta ao I milénio a.C., e que corrobora a ocupação humana nesta área há mais de 3000 anos.

Restaurado na década de 40 do século passado pelo Estado Novo, só em outubro de 1996 foi criado o Núcleo Museológico do Castelo de Lanhoso. Foi recuperado em 2011, e atrai atualmente perto de 15 mil pessoas por ano.

É um local onde se respira História, e que é de obrigatória visita.

 


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