Revista Rua

Observar. Talento

Um talento escondido num pseudónimo

Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

Perfil

Natural de Guimarães, Rafael Duarte nasceu a 2 de setembro de 1992. Apaixonou-se pela escrita quando, apenas com 13 anos, se aventurou a escrever os primeiros poemas. Abrindo-se ao mundo artístico, universo que ainda hoje o acompanha como um sonho que o comanda, Rafael Duarte descobriu na poesia uma forma de contar as suas vivências e os seus anseios. No entanto, o “medo da reação” das pessoas, já que ninguém sabia que escrevia, levou-o a optar por assinar o seu primeiro livro, intitulado Locus Horrendus, com um pseudónimo: Charles Haze. Desde aí, Charles Haze tem sido a personagem que permite que Rafael Duarte seja “sincero e real”. Entre rimas e não-rimas, os poemas de Charles Haze alastraram-se recentemente para um novo livro, chamado Memento Mori.

Com Whitman, Poe e Ginsberg na lista de poetas que mais o influenciam – e ainda Rumi, o poeta persa do século XIII que Rafael Duarte tem andado a explorar –, o jovem escritor vimaranense tem como ocupação principal a gestão de comunicação, já que a poesia ainda não é suficiente para permitir a sua subsistência. Mas a ambição é essa.

 

Com as paisagens de Guimarães a inspirar a sua escrita, Rafael Duarte é um jovem escritor que se lançou à conquista do mundo da poesia. Na memória guarda os primeiros poemas que, com apenas 13 anos, foi rabiscando. Mas foi relativamente há pouco tempo que este universo criativo se tornou a maior ambição do rapaz que se esconde atrás do nome Charles Haze. “Nada se concretizou até aos meus 22 anos, quando lancei o meu primeiro livro. Eu estava em Lisboa, tinha deixado o teatro e sentia falta de algo na minha vida. Voltei então a escrever”, explica. Caracterizando a sua escrita como “orgânica e inata”, o jovem vimaranense assume que o seu primeiro livro Locus Horrendus foi a sua descoberta como escritor. “Tentei rimar, tentar não rimar, tentei construir formas. É um livro mais ‘escuro’, mais jovial e mais ‘cru’. Ninguém esperava que eu lançasse um livro e ninguém percebeu como, de repente, eu tinha criado uma obra. Nunca contei a ninguém que escrevia. Era demasiado eu e a minha escrita. No entanto, tive um ótimo feedback”, conta. Inspirando-se nas pessoas, nos momentos ou até em imagens ou palavras, Rafael destaca ainda os seus sonhos como material com grande potencial criativo. “Ultimamente tenho estado atento aos meus sonhos, dão ótimas ideias”, diz.

Com outro livro lançado há poucas semanas, intitulado Memento Mori, o jovem poeta parece preferir atribuir expressões latinas aos seus títulos, mas refere com toda a simplicidade que são as próprias expressões que vêm ter com ele: “Pode soar estranho, mas é como se os nomes me escolhessem a mim. Memento Mori apareceu-me numa série chamada Penny Dreadful. Assim que ouvi esse nome soube que tinha ali a continuação do meu primeiro livro”, refere. “Este livro, Memento Mori, foi uma espécie de cura para mim. Quando tive a ideia de o escrever, a minha vida estava bastante confusa. Comecei a procurar resposta. O livro foi quase todo escrito na floresta. Queria perceber quem eu era como pessoa, como artista e como queria o meu futuro. Descobri que tinha que criar um universo só meu. Além disso, sabia que tinha de passar uma mensagem, daí o livro ter uma exposição, um áudio-livro e curtas-metragens associadas”, acrescenta Rafael.

Agradecendo toda a ajuda e colaboração dos artistas que o têm ajudado a cumprir o sonho, Charles Haze menciona ainda a ambição de escrever um romance. Mas há ainda muitos outros sonhos por cumprir antes disso. Até onde o levará o seu sonho?


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