Revista Rua

Apreciar. Minhotos pelo Mundo

Uma aventura por três continentes

Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

Com apenas 24 anos, Maria Liquito já passou por três continentes, descobrindo culturas e contando muitas peripécias pelo caminho. De Viana do Castelo para a Lituânia, seguindo para Kuala Lumpur e aterrando, agora, em Curitiba, a jovem aventureira quer continuar a desvendar os mistérios do mundo, nem que para isso tenha de partir sozinha pelo desconhecido. 

Sem medos nem receios, Maria Liquito, de Viana do Castelo, arriscou-se pelo mundo como quem não tem nada a perder, colhendo muitas histórias e muitas experiências – umas mais amargas que outras. Mas comecemos pelo início. “Primeiro, fiz Serviço Voluntário Europeu na cidade de Šiauliai, na Lituânia. Parti com o objetivo de reforçar o meu inglês e desenvolver capacidades pessoais. Lá, tive a oportunidade de trabalhar com crianças, numa biblioteca pública. Mas a minha maior aventura veio depois…”, conta-nos Maria. “Achei que devia ter outra experiência internacional, mas mais direcionada para a minha área de formação. Após algumas pesquisas, encontrei uma proposta para a Malásia que me pareceu interessante”, refere. De malas e bagagens partiu para Kuala Lumpur, onde ia desenvolver funções numa empresa chinesa especialista em design para stand de exposições. “Fui contratada como marketing executive, mas a verdade é que nem tudo foi perfeito”, revela. “As tarefas acabaram por não ser exatamente aquelas que tinham sido descritas. Na Ásia, marketing ainda se confunde com sales”, explica-nos a jovem, acrescentando que, porém, não se esquece da piada que era ter de andar descalça dentro do edifício.

Acreditando que seria normal sentir o choque cultural que sentiu, Maria Liquito descreve o continente asiático como sui generis: “Não é, de facto, uma das zonas mais ricas do planeta, mas as pessoas são geralmente felizes e não exigem mais do que aquilo que podem ter, ao contrário do que se verifica no Ocidente”.

Mas, então, e as histórias que trouxe na algibeira?! “O primeiro choque foi, naturalmente, nunca haver papel higiénico nas casas-de-banho. Ao bom estilo muçulmano, usam mangueirinhas para completar a higiene pessoal, coisa que nunca me acostumei”, diz Maria, de um jeito divertido. “Destaco também as comidas intensas: quase morri num restaurante indiano, na primeira semana, porque pedi com pouco picante e o empregado disse: ‘Para si, menina? Claro que sim!’ e quase me matou com um prato extra picante. Acho que para ele aquilo era pouco. Também conheci um restaurante iraquiano, apresentado pelos portugueses que viviam comigo, onde as baratas andavam em cima da fruta e da loiça. Duas garfadas e fiquei por aí! Ah, e comi escorpião! Não sabia a nada…”, menciona Maria, bem-disposta.

Aproveitando para viajar pelos países em redor, sozinha, Maria conheceu Singapura, Tailândia, Cambodja e Vietname, vivendo com pessoas de várias culturas e religiões. “Destaco a ilha malaia de Tioman, a incrível Cameron Highlands, cidades como Banguecoque ou Chiang Mai, na Tailândia, Saigon, no Vietname, ou Siem Reap e Phnom Penh, no Cambodja”, aconselha.

Já de pés assentes em Curitiba, no Brasil, para onde viajou recentemente ao abrigo do programa INOV, Maria Liquito já pode dizer que viveu em três continentes e quatro países antes de completar os 25 anos. “E espero não ficar por aqui!”, afirma. 

 


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