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Apreciar. Minhotos pelo Mundo

Uma portuguesa em Xangai

Redação

Texto: Redação |

Com 23 anos, Sara Dias é natural de Guimarães, mas desde 2015 que se rendeu aos encantos de Xangai.

Em primeiro lugar, gostaríamos de conhecer um pouco da tua história. O que fazias antes de viajares para Xangai? O que te levou para a China?

Antes de viajar para Xangai era estudante de Línguas e Culturas Orientais na Universidade do Minho. Vim para cá porque me foi atribuída - a mim e a dois colegas de turma - uma bolsa de estudo em regime de mestrado para Xangai. Era suposto ficar apenas um ano, mas decidi ficar por cá e já estou nesta cidade desde setembro de 2015. Neste momento sou professora de inglês e fotógrafa nos tempos livres.

 

O que é que sentiste quando chegaste à cidade? A diferença cultural foi intensa? Como foi o período de adaptação?

O choque foi enorme! Nunca tinha visto tantos carros e tantas motas a bateria como vi aqui. Ninguém respeita os sinais de trânsito, é sempre uma confusão muito grande na estrada, mas eles lá se entendem! A primeira noite que passei em Xangai, ainda não estava em mim. Só quando acordei de manhã e abri a janela é que me apercebi que estava no outro lado do mundo, mas habituei-me rápido. Foi uma surpresa para mim, visto que em Portugal não ‘conseguia fazer nada’, não conseguia ir ao supermercado ou à pastelaria sozinha que tinha logo mini ataques de pânico. Por isso, digo que Xangai me fez crescer, tornou-me independente e sou muito grata por isso! A minha irmã também vive em Xangai, ela veio para cá em dezembro de 2016 e, para além dela, tenho muitos amigos portugueses. Vamos todos ao Viva ou ao Olá, dois restaurantes portugueses aqui em Xangai.

 

Quais foram as principais dificuldades que enfrentaste?

Diria que a maior dificuldade foi em termos de comida. Todos os restaurantes apresentam um cardápio enorme de grande variedade, mas se não pegarmos no dicionário, há uma grande probabilidade de comermos serpentes ou sapos. Mas agora já tenho o meu menu diário, que começa nos noodles de bife até ao arroz frito. 

O que mais te surpreendeu em Xangai? Como descreverias a cidade?

Todos nós temos a ideia de que a China é um país de outro mundo. Em Portugal só se veem notícias desastrosas vindas da China e eu vinha mais ou menos com essa mentalidade, mas quando cheguei aqui apaixonei-me por esta cidade, cheia de luzes, arranha-céus, metro que te leva a todo lado, as pessoas são amáveis, muitas delas sempre prontas a ajudar.

 

Desde que aí estás, o que nos podes destacar como indispensável de conhecer em Xangai? Que locais já visitaste?

Em Xangai já visitei tudo. Um local que toda a gente conhece da televisão é o The Bund, onde podemos ver os arranha-céus do outro lado do rio e que nos dá uma ideia de como o homem é um ser poderoso, capaz de construir do nada coisas tão majestosas. O templo Longhua é mágico, cheio de muito boa energia e onde podes ver monges na vida real! O Yu Garden também é um dos locais mais emblemáticos de Xangai, cheio de luzes e lojinhas para comprar souvenirs. Xangai também tem vilas antigas, uma até parece Veneza, chamada Qibao, com muitos canais de água e ruas com vários tipos de comida.

 

Tens alguma história caricata que nos gostasses de contar? Algo engraçado que te tenha acontecido?

O que vou contar, acontece-me a mim e a todos os estrangeiros que cá passam por Xangai ou pela China em geral: há sempre alguém que pede para tirar uma foto comigo, só porque tenho uma cara ocidental. Costumo dizer que todas as famílias chinesas têm uma foto comigo pendurada na parede da sala (risos).

 

Do que mais tens saudades do nosso país? A comida?

Tenho saudades da família, dos amigos, dos cães e da comida, claro. Mas comida podemos encontrar aqui, mas nunca é como a comida da avó.

 

Tens planos para voltar? Quando?

Só volto de férias, no verão. Depois volto para cá. Esta é a minha cidade agora.

 

Fazes um balanço positivo da experiência, até ao momento?

Sim, sem dúvida. Como já disse, Xangai fez-me crescer e conhecer a Sara que não conhecia. O meu objetivo é aprender bem o mandarim.

 

Aconselhavas os nossos minhotos a conhecerem a cidade? Porquê?

Sim, é sempre bom sairmos da nossa zona de conforto e para verem o que é a versão chinesa de Nova Iorque. Não só Xangai, mas outras partes da China, como a montanha de Taishan, na província de Shandong, um dos sítios mais bonitos e mágicos que já alguma vez visitei. As pessoas nunca vão entender o que é a China e a cultura chinesa se não vierem ‘beber à fonte’.


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