Revista Rua

Apreciar. Minhotos pelo Mundo

Uma viagem sem fim rumo ao Qatar

Américo Cunha está em Doha

Filipa Santos Sousa

Texto: Filipa Santos Sousa |

Com 25 anos, Américo Cunha muniu-se de malas e bagagens, deixando as raízes bracarenses, para abraçar uma aventura no calor desértico de Doha.

O Qatar é um país quente, de tal modo que as primeiras imagens que nos ocorrem são palmeiras e areia, muita areia, ou não fosse um território dividido entre o azul talismã do Golfo Pérsico e os desertos intermináveis. Com um curso tecnológico em Desporto, e experiência como acompanhante desportivo de Boccia pelo SC Braga, Américo Cunha está há 19 meses a viver em Doha, capital e expoente económico-cultural do Qatar. “Eu podia ter sentido saudades e tristeza, mas a única coisa que consegui sentir foi o calor, é impossível sentir outra coisa quando às sete da manhã estão 40 graus”, explica.

Partiu para o Qatar com o intuito de visitar o seu pai, contudo surgiu uma oportunidade de trabalhar na área de logística. Desde então, esta tem sido a sua nova casa e, inversamente ao que se poderia pensar, a adaptação foi rápida. Com efeito, ajudou o facto de estar a “trabalhar com muitos portugueses”, salienta. Ouvir e falar na língua de Camões é, portanto, algo intrínseco ao quotidiano de Américo. E saudades? “O que sinto mais falta é de ver um bocado de floresta”, responde.

Viver e trabalhar num Estado que tem como vizinho a Arábia Saudita, país tradicionalmente conservador, poderia deixar antever algumas dificuldades ao nível de eventuais choques culturais. No entanto, as “pessoas são muito simpáticas contrariamente aos estereótipos do Médio Oriente”, acrescentando que desfez “muitos mitos” sobre esta zona do globo. Algum episódio caricato? “Como tenho muitas tatuagens pedem-me para tirar fotografias comigo, sinto-me uma celebridade”, revela o português.

Américo Cunha deixou-se encantar, não só pela amabilidade dos locais, mas também pela arquitetura e organização. “Doha é onde tudo acontece e onde se nota mais evolução, é uma cidade limpa com uma bonita linha de costa e mercados tradicionais, mas com um trânsito medonho”, declara. Com um crescimento económico acelerado, o Qatar está repleto de edifícios monumentais que exibem traços de uma arquitetura audaz e contemporânea. “Em Doha, os principais locais a visitar são o Museu de Arte Islâmica, que tem um edifício espetacular; Al Corniche, que é uma linha da costa onde se podem ver os arranha-céus e alguns barcos tradicionais; e o Souk Waqif, que é um dos mercados mais antigos do Qatar”, aconselha.

Quanto ao seu futuro, o jovem prefere deixar tudo em aberto. Na verdade, tenciona voltar a Portugal, mas não para ficar. “Eu gosto de viajar, de conhecer o mundo e outras culturas, por isso tenho que aproveitar ao máximo”, destaca. Com uma sede enorme de conhecer, assim é Américo Cunha, um verdadeiro minhoto pelo mundo!


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