Revista Rua

Saber. Reportagem

Uma vindima à moda antiga

Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

Em época de vindima, uma edição focada nos vinhos não estaria completa se não acompanhássemos uma autêntica vindima tradicional. Não falamos em vinhas de grande escala, nem produção de milhares de litros de vinho Alvarinho. Falamos, isso sim, de deitar mãos à obra para apanhar uvas que servirão para consumo próprio, numa produção à moda antiga, entre família e amigos. A RUA, sem receio de lavar os cestos no fim, juntou-se à família de Fernanda Pedreira Pedras, em Gondomil, Valença, para ajudar na colheita que se revelou uma tarefa verdadeiramente cansativa... mas nada que um saboroso cozido à portuguesa ao almoço não resolvesse!

Fotografia: Julio Rodriguez

A vindima tinha hora marcada. 9h da manhã. O ponto de encontro era a casa da gentil dona Fernanda, que à hora certa já tinha os cestos e as tesouras prontas para carregar o tantas vezes usado trator da família. As vinhas que íamos vindimar eram a poucos metros da casa, mas mesmo assim, a boleia do trator pareceu-nos bem mais apetecível naquela manhã amena de meio de setembro. Chegando à vinha, tesouras em punho e lá vamos nós! Aos poucos, os cestos iam-se enchendo, mas o olhar atento da dona Fernanda garantia que nenhum cacho podre se juntasse e nenhum cacho ficasse para trás. E se ficasse, lá ia ela em seu socorro, já que todas as uvas eram necessárias. O plano seria conseguir 400 a 500 litros de vinho, envolvendo as castas Trajadura e Alvarinho.

De uma vinha para a outra, as forças começaram a decair e o momento pedia reforço: é hora da merenda! Paula Pedreira Pedras, a filha da dona Fernanda, vem em nosso auxílio com algumas iguarias, do pão à patanisca, da chouriça ao imprescindível copo de vinho Alvarinho. Procurando um lugar na toalha posta à entrada da vinha, cada um de nós foi petiscando, mas sempre com a noção que as restantes uvas não se iam apanhar sozinhas! Era preciso continuar. Subindo a cima dos cestos vazios para alcançar os cachos mais altos, a dona Fernanda ia controlando os seus fiéis ajudantes, recorrendo às manobras do seu trator para recolher os cestos já cheios. Como onde todos ajudam nada custa, a tarefa deu-se por terminada por volta das 14h, momento em que, já na casa, o almoço aguardava pela nossa chegada.

Num convívio alegremente brindado por Vinho Verde, a parte da tarde foi passada na adega, depositando as uvas colhidas na esmagadeira e passando-as depois para a prensa, que seguindo os métodos antigos, exercerá uma força tremenda sobre as uvas, fazendo-as verter o seu sumo durante longas horas. Entre esforçados movimentos na prensa, a cargo dos homens presentes, o sumo de uva lá ia sendo recolhido e cuidadosamente depositado na pipa onde repousaria até meados de dezembro (ou mais).

Quanto a nós, prometemos voltar no momento de engarrafar. Queremos saber o resultado das uvas que tanto trabalho nos deu a vindimar!


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