Revista Rua

Apreciar. Minhotos pelo Mundo

Vontade de vencer refletida em dois destinos

Andreia Costa e José Torre, uma aventura entre Londres e Amesterdão

Filipa Santos Sousa

Texto: Filipa Santos Sousa |

Há quem procure alternativas quando o decurso da vida profissional deixa de satisfazer, mesmo que longe de casa. Movido por um forte espírito de resiliência, um casal minhoto encontrou a milhares de quilómetros aquilo que lhes faltava.

Andreia Costa, de 36 anos, e José Torre, de 29 anos, deixaram Portugal motivados por alguma insatisfação profissional. Deixando os códigos postais portugueses, o casal partiu para o estrangeiro com apenas um intento no horizonte, ou seja, impulsionar a sua carreira. Primeiro no Reino Unido e atualmente na Holanda, os designers privaram de perto com dois países e culturas, que apesar de intrinsecamente europeias, são distintas na sua essência. “Amesterdão é uma cidade peculiar. Não é enorme como Londres, mas tem o seu charme. Quando cá chegamos sentimos que entrámos num mundo à parte. As pessoas e os costumes também são bastante diferentes. Aqui a adaptação não foi tão fácil como em Londres”, conta Andreia.

Em “Terras de Sua Majestade” – como é comummente conhecido aquele que é um dos mais importantes e maiores centros financeiros do mundo –, os minhotos encontraram conforto em parentes e amigos portugueses. Deixaram-se encantar pela imponência de Londres e dos seus edifícios, mas, sobretudo pela sua aparente intimidade. “Sentimos quase como se estivéssemos num filme, no entanto, havia um sentimento de familiaridade. Talvez por vermos esta cidade em tantos filmes e séries. Para mim, a sensação foi que finalmente tinha encontrado o sítio onde pertencia”, explica José.

O Big Ben, a Tower Bridge e o funcionamento dos transportes públicos britânicos encantaram o casal. Porém, Londres serviu somente como prelúdio para mais uma experiência internacional. Andreia e José agarraram a oportunidade e mudaram-se para Amesterdão, onde se encontra grande parte da equipa de design da TomTom (empresa de referência no setor de sistemas de navegação para automóveis). Na capital holandesa foram brindados por uma pintura adornada em tons distintos mas, simultaneamente, cativantes. “A cidade tem uma imagem muito própria com as casas típicas e os canais. As bicicletas fazem parte da paisagem, é difícil não ver uma bicicleta”, comenta Andreia Costa.

De facto, as bicicletas representaram um passo importante na integração, ou não fosse Amesterdão uma das cidades mais famosas pela devoção dos seus habitantes a este veículo. Por isso, antes de se preocupar com a tradução dos rótulos dos alimentos, que surgem com frequência na língua mãe, o casal adquiriu bicicletas e enfrentou a destreza dos locais. No entanto, estas não foram as únicas peculiaridades encontradas. “As casas tradicionais têm uma caraterística muito particular, escadas com uma inclinação fora do normal e degraus muito estreitos. No primeiro mês ficamos numa dessas casas, então, um dia a sair de casa, o José escorregou e desceu metade das escadas de traseiro no chão. Portanto, em Amesterdão, cuidado com os degraus”, graceja Andreia.

No que concerne a visitar as duas capitais europeias, os minhotos aconselham-no vivamente, embora recomendem uma viagem durante a primavera ou verão, de modo a evitar a chuva. De facto, o clima é mesmo um dos aspetos de que mais sentem falta do nosso país, sem contar com a família e os amigos, claro. Visivelmente satisfeitos pela mudança de ares e, apesar de admitirem um eventual regresso a troco de uma excelente oportunidade de trabalho, confessam: “Sair de Portugal foi a melhor decisão que alguma vez tomamos!”


4 vídeos 817 followers