Revista Rua

Apreciar. Música

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Andreia Filipa Ferreira

Texto: Andreia Filipa Ferreira |

“Se conseguir fazer as pessoas sentirem alguma coisa, terem vontade de fazer alguma, acho que sou feliz”

 

David Santos é o rosto de noiserv, um projeto que tem vindo a afirmar-se como um dos mais criativos projetos musicais em Portugal, num percurso marcado por canções capazes de atingir cada indivíduo na sua intimidade através de uma viagem entre a realidade e o sonho.  Com concerto marcado no Theatro Circo no dia 17 de novembro, pelas 22h, a propósito do Festival para Gente Sentada, noiserv esteve à conversa com a RUA, numa breve viagem aos primórdios da sua paixão pela música.

Fotografia: Vera Marmelo 

 

 

“Homem-Orquestra” ou “Banda de um homem só” são os epítetos mais utilizados para se referirem ao projeto noiserv. É uma maneira agradável de ser reconhecido?

Eu gosto. É algo que te cria uma imagem mesmo antes de ouvires a música, e gosto disso.

 

David Santos é o rosto do projeto noiserv, que começou em 2005. Que memórias guarda desse início? Como é que tudo começou?

Tudo começou quando gravei uma maquete de três músicas para concorrer a um concurso de bandas de nome Termómetro Unplugged, em 2005. As memórias são muitas e felizmente sempre boas e sempre a aumentar.

 

O interesse pela música sempre esteve presente nos seus anseios profissionais?

Chamar-lhe profissional é sempre relativo. Na realidade portuguesa, acho difícil conseguir assumir, à partida, que queres que a tua música se torne a tua única profissão, se quiseres seguir o ideal de música de autor. Acaba por ser algo que começa a acontecer depois de muitas escolhas. Em termos de objetivos pessoais, a música sempre foi aquilo que me deixou mais preenchido emocionalmente, mas nem sempre consegues que isso seja a tua profissão.

 

Tem sido várias vezes apelidado como criativo e estimulante em termos musicais. Consegue explicar-nos de onde surge toda essa criatividade?

A criatividade não se consegue explicar, eu pelo menos não consigo. Surge de muita procura, muita tentativa e erro. De onde vem em concreto, não sei bem.

 

Qual é o principal motivo da sua música? O que quer levar aos ouvintes?

Emoções, estados de espírito, histórias, etc. Se conseguir fazer as pessoas sentirem alguma coisa, terem vontade de fazer alguma, acho que sou feliz.

 

O álbum One hundred miles from thoughtlessness, de 2008, teve o sucesso que pretendia? Como descreve este trabalho?

É o meu primeiro disco longa-duração depois do tal EP de três músicas que tinha gravado em 2005. É um disco em que estava a descobrir a minha forma de fazer músicas, a minha forma de construir um disco com princípio meio e fim. Senti que as pessoas gostaram muito e isso acabou por ser uma grande “alavanca” para querer fazer mais música.

 

Em 2013 lançou um novo disco chamado Almost Visible Orchestra. Consegue explicar-nos a evolução da sua música através deste trabalho? Notou um crescimento da sua predisposição para a música?

A minha predisposição/vontade sempre foi a mesma. Mas, inevitavelmente, este disco surge muitos concertos depois do primeiro e, por isso, teria de existir uma evolução em mim, tanto a nível emocional como musical. E o disco é isso, essa evolução e complexidade acrescida.

 

00:00:00:00, de 2016, é exatamente o quê? Como nos apresenta este trabalho? E explique-nos a razão para a edição do 00:00:00:00 em vinil. Tentou tornar este disco ainda mais transparente?

Este disco é algo diferente dos anteriores. Quis focar-me apenas num instrumento, neste caso o piano. Apelidei-o de “banda sonora para um filme que ainda não existe” porque me pareceu um disco bastante cinematográfico. A transparência relaciona-se precisamente com o conceito do disco, a inexistência de filme dá-lhe uma transparência por preencher. O vinil surge por ser um formato bonito em que me faz sentido ter, sempre que possível, a minha música.

Hoje, depois destes trabalhos, consegue explicar-nos o projeto noiserv? Quem é, o que quer e para onde vai?

Continua a ser o mesmo que no início. Um projeto de uma só pessoa que vive a música como principal caminho para a sua vida. E que enquanto a vida continuar, a música também continue.

 

O que podemos aguardar do concerto no Theatro Circo, a propósito do Festival para Gente Sentada?

Espero que seja um bom concerto, numa sala muito bonita e que as pessoas fiquei satisfeitas.


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